O ecletismo é o "Abre-te, Sésamo!" desta portal. Coloque os cintos na posição vertical, apertem bem seus assentos - ou coloquem os acentos na posição vertical e relaxe os "sintos" - e boa viagem!
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Pensamentos de um principiante
Tentamos fazer planos, mas é tão difícil conviver com a incerteza sem preocupar-se com ela a cada piscadela de olhos...
Resta viver assim mesmo, como nos é dado, da forma mais crua, e esquecer que podemos sonhar, perder e sumir. Talvez, assim, consigamos sonhar sem saber, e, quem sabe, viver um sonho por um instante real.
A poesia do viver, qual mais será? Das mil coisas que há para se viver, como saber qual será o instante eterno e qual será o estalar de dedos? Como viver assim, esperando que as coisas aconteçam mas correndo atrás das próprias coisas que se espera?
Qual a importância das coisas pequenas? Como saber o que é pequeno e o que é insignificante?
Engatinho largamente, cheio de idéias na cabeça, sonhos nos arrepios e pó nos olhos. Onde será que vou parar? Parar pra quê, como?
O fim de tudo que levanta vôo é o chão.
Para onde foram as velhas seguranças de sempre? Onde está a espontaneidade que se perde com a distância?
Tudo pode ser e tudo pode não ser? A virtude de hoje é o defeito de amanhã e vice-versa? Num jogo de probabilidades impraticável, nem corda-bamba há. Há bamba.
A instantateidade da vida e sua eterna imprevisibilidade são o mel de todo dia, dizem os bem entendidos. Mas é apenas quando se contraria as regras que você não concorda.
Porque tenho que pensar no fim a cada dia distante?
Tem tudo pra dar e pra não dar, também. Vai saber... Quando tudo diz que sim, algo diz que não. "Não" é forte e truculento. Quanto blablablá mental...
A vida se revela tão clichê para uns, com suas fases e contas e números e passos e fins determinados como um roteiro. Noutro lado, o romantismo impossível e inacreditável aparece na sua vista e materializa-se nas histórias improváveis que conhecemos. Crer em quê?
Assim vou, tentando achar fé onde só há caminhos a serem traçados. A sensação de errar fatalmente é companhia certa, mas a cada sorriso se dá um passo mais firme e decidido.
Conhecer é percorrer, e é tudo que se pode.
Futuro? O que é isso?
domingo, 9 de dezembro de 2007
Só pra ti, linda
Hoje, este blog está exclusivo.
Sabe, muitas mudanças acontecem na minha vida desde o dia em que te conheci. Não sei como estarei daqui a um mês, daqui a um ano, daqui a uma vida, mas tenho a certeza de que estarei melhor ao seu lado, caminhando junto a ti (embora você goste de sair e meditar a sós, de vez em quando). Eu sou muito grato a você por isso, pela sua coragem e doçura. O que posso te fazer em troca é o que eu tento há dois meses: dar o melhor de mim. É o mínimo que mereces de mim.
Amanhã, estarei aí contigo, mas, hoje, nesta dia em que estamos tão longe e continuamos juntinhos, o que posso fazer é isso: escrever e esperar. Espero que goste!
Beijos, Jaque! Parabéns pelos nossos dois meses!
Dois lindos meses
Hoje são dois meses. Dois meses da história mais linda que eu conheço. Aquele dia... Eu nunca vou esquecer aquelas mãos dadas, suando de não sei o quê, subindo a rua de casa. Nunca vou esquecer aqueles beijos tão difíceis de começar, mas mais difíceis de interromper...
Aquele dia foi – sempre será – o dia mais louco da minha vida! Do zero ao infinito em dois minutos ou menos! Do nada ao tudo em um descer e subir de elevador. Em uma campainha inesperada, em algumas breves palavras na porta.
Mas esses dias passaram... E viraram um mês! Um mês à distância, mas um mês mágico! Até discutir a gente discutiu, e as pazes a gente fez no mesmo instante! Um mês cheio de viagens, cinemas, sono, palestras, amassos, carinhos, beijos! Um mês cheio de surpresas! Um mês cheio de preocupações na estrada e de música nos violões...
Daí esse mês passou, e ficou grávido de outro! O segundo mês! Esse, agora, foi mais carregado de saudade, de fins de semana na lembrança... Nas conversas que o sono faz a gente dizer uma coisa e parecer outra... Mas é tão gostoso conversar! Descobrimos que perdemos facilmente a hora só enrolando pra dizer “tchau” um pro outro... Descobrimos até quem dirige melhor, e podemos contrariar a sabedoria masculina, hehe! Descobrimos um montão de coisas, até mesmo que não sabemos direito até onde vai a manha do outro!
Mas é o começo de muitos meses. Hoje, começa o caminho pro terceiro mês e, com ele, novas descobertas, novas discussões, novos beijos, novos carinhos, novas conversas!
Novos adjetivos pra falar dessa história tão linda, desse namoro tão engraçado, tão romântico, tão gostoso, tão, tão... Tão feliz!
Belezinha, parabéns! Fazemos, hoje, dois meses de namoro! Dois lindos meses...
Já diziam os antigos...
A lagartixa
A lagartixa ao sol ardente vive
E fazendo verão o corpo espicha:
O clarão de teus olhos me dá vida,
Tu és o sol e eu sou a lagartixa.
Amo-te como o vinho e como o sono,
Tu és meu copo e amoroso leito...
Mas teu néctar de amor jamais se esgota,
Travesseiro não há como teu peito.
Posso agora viver: para coroas
Não preciso no prado colher flores;
Engrinaldo melhor a minha fronte
Nas rosas mais gentis de teus amores
Vale todo um harém a minha bela,
Em fazer-me ditoso ela capricha...
Vivo ao sol de seus olhos namorados,
Como ao sol de verão a lagartixa.
Álvares de Azevedo
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Das conversas de hoje de madrugada
Preciso amadurecer agora. Não que tenha de ser um amadurecimento instantâneo, mas tem que ser contínuo, autêntico e permanente. Sem pensar possibilidades terríveis, sem antecipar as coisas em viagens imaginárias. Sem falar demais, o que é difícil. Antes, e fundamentalmente, é preciso viver e fazer. Viver as coisas, porque elas passam se você as deixar assim, e fazer as coisas, porque o pensar é eterno mas etéreo e as palavras nada podem além de dizer sobre as coisas. É preciso crescer agora... É duro, mas o moleque tem que crescer.
É preciso amadurecer, então. Mas amadurecer pra mim, pra que eu esteja maduro pra ela. Pra que eu alcance tudo o que ela pode dar, tudo o que ela tem. Sem deslizes evitáveis, sem palavras desastradas. É preciso também pensar um pouco, mas apenas o bastante. As coisas certas ainda são poucas, mas são boas. Pra que eu não estrague tudo de uma maneira que só eu consigo, pensar também é preciso. Principalmente, antes de dizer.
É engraçado pensar como as palavras machucam. Como elas dever ser medidas pra dizer o que se quer e não o que elas podem querer dizer. O fundamental zíper que só se abre na presença da certeza ou, ao menos, do exame criterioso.
Como é bom ter que amadurecer. Isso significa que há alguma mudança, alguma coisa nova que nos aparece. Alguma coisa linda. Alguém? É! E é pra isso que eu preciso amadurecer mais. Preciso amadurecer tudo o que eu não amadureci em oito ou dez anos, e ainda o que eu tenho que amadurecer daqui pra frente. Pensando assim, que bom que eu tenho que amadurecer. Ter alguém pra te apontar isso... Que bom!
Amadurecer, eu estava pensando. Quando uma fruta qualquer amadurece, ela cai. Mas daí você pode pensar: "Caiu no chão, caiu do pé, mas que frutinha mais azarada!". Pois é, mas quando ela cai é que ela tem a chance de virar árvore. E, virando árvore, também dar frutos.
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Quase um mês!
Que falta pra começarem as férias...
Que faz que minha vida tomou rumo...
Chega de divagar, né verdade?
Hoje eu vou colocar um poema meu, quase meia boca, que eu fiz um dia aí.
Vejam se gostam. Na verdade, se alguém ler, já estarei feliz, porque nunca vi tão pouca gente visitar essa espelunca. E isso contando eu!
Bom, até mais!
Encontro
Lucas do Carmo Lima
Olho, da janela,
Uma cena sinistra:
A noite está clara
Mas sombria...
Seguem, as nuvens,
Uma marcha lenta...
Vão rumo ao longe...
O horizonte está limpo,
Continua a noite normal,
As nuvens, fúnebres, andam
Acima do céu.
A lua está firme
E empresta sua força
A essas nuvens errantes...
É o candeeiro pelo caminho.
A noite não parece noite,
Não parece tão tarde...
As ruas continuam vivas,
Os apartamentos continuam acesos.
Mas é noite, e soberana.
As preocupações que brotam do chão
As perseguições perturbadas
Não levantam nem poeira...
É a hora da noite brilhar!
As nuvens não ligam pra nada,
Elas andam e só...
Andam acima das cabeças
E dos edifícios e das idéias...
E também não se ocupam de andar
Nem se preocupam em andar...
Só andam e é tudo que acontece.
Entre as nuvens e as estrelas
Não há nada,
Mas elas nunca vão se encontrar.
As nuvens não sobem...
Elas vão em frente!
Às nuvens não importam
Aquelas estrelas.
Aquelas estrelas vão continuar lá
As nuvens, aqui.
Às nuvens vem o vento
E o vento é tudo de que precisam...
As estrelas são belas
As estrelas são místicas
As estrelas são formidáveis!
Mas quem acompanha as nuvens
É o vento.
É o vento que tirou as nuvens
Do marasmo
E as colocou em movimento!
É a companhia que vale mais
Que mil admirações!
Companheiro admirável...
As estrelas são até poéticas
Mas que fiquem por lá, paradas,
Com seu movimento que não se vê
E aquela luz que não ilumina...
O vento é diferente.
O vento está aí
- é só soprar que ele aparece!
Ele não precisa da noite,
Dispensa a luz...
O vento que mexe as nuvens
Vale mais que mil desejos vãos...
O vento faz o andar das nuvens
Nesta noite sinistra, mas linda,
Onde a lua espia o encontro mais lindo
E o encontro mais livre!
Entre o vento as nuvens, não há nada.
Não há nada que os separe.
Não há nada que pare
O vento e as nuvens.
sábado, 6 de outubro de 2007
Hoje eu só vou escrever um pouco
Tentamos nos segurar e, quando se vê, já estamos andando pra trás sem querer.
É mais ou menos por aí.
Sabe quando a gente fica cego pelos nossos próprios demônios e só consegue abrir os olhos de cara pro sol?
Aí você me pergunta: mas isso não deve doer?
Eu lhe digo: pois é...
Sabe quando você não distingue mais o que você criou sobre você do que você sente de você?
Às vezes, você tenta descobrir a diferença, mas aí você acabou de criar outra coisa sobre você.
Já era.
Sabe quando você pensa que esqueceu e que acabou e você vê as fotos que salvou e lembra das estranhices que aconteceram?
Que nostalgia que dá, que esperança que cresce....
E pra saber se é em vão?
Sabe quando você precisa falar e sabe pra quem, mas não sabe o que é?
Pode ser recíproco.
Pode até ser.
Sabe quando você tem vontade de não desperdiças suas metáforas num texto, a princípio, despretensioso?
Pra quê pretensões?
Pra quê metáforas?
Pra quê texto?
Sabe quando você não sabe, mas o faz?
Eu fiz e não sabia.
Soube agora.
Gostei e não.
Sabe quando a certeza sobre si se destrói a cada dez minutos andando?
É fogo que arde se se ver.
É nada mais que tudo que você tentou resolver. E o fez ao contrário.
Sabe aquela sensação de que aquilo se acabou tem em si um quê de "mas, e se"?
Tem horas que eu não sei se é feito, se é surgido ou se é fingido.
Sabe a idiotice que lhe toma nos momentos de encontro?
E a estranha naturalidade enlatada que a acompanha depois?
EU POSSO DIZER ASSIM, EM GARRAFAIS, QUE EU NÃO SEI.
Até onde estou apenas criando uma cortina de fumaça que me esconda de uma possível verdade, não sei...
Até quando eu ainda precisarei pensar em parar de pensar, não sei...
Até quando isso vai atrasar meus movimentos e meu instinto...
Até quando isso vai durar, até quando vou me ocupar dessa joça toda...
E a verdade? Está no momento, na razão, nos filmes que queremos indicar e que mostram o contrário e o correto de toda nossa vontade?
Está num dia inteiro de raciocínios e lembranças ou numa frase que você ouviu de alguém que te viu três vezes?
E o amor, onde buscar? Quem vai estar lá pra te entregar, ou pra se entregar?
E a felicidade, foi-se embora?
E a tristeza, tem fim?
E o romantismo, que a vida esmaga a cada dia?
E o lirismo, que dá lugar a resmungos existencias?
E as perguntas, um dia eu vou conseguir respondê-las?
Did she get her ticket to ride? Does she care?
E as escolhas? Quando elas se tornarão mais naturais?
E as músicas, serão, um dia, sem dedicatória? Sem sentido?
Ainda bem que eu sei escrever. Pelo menos isso.
Se não sobesse, iria pra onde? Pro sanatório, com uma camisa de força, ou pro meio da rua, com um megafone?
Mas, eu sei. Menos uma a pensar.
Mas, eu sou rápido. Já pensei. E já escrevi.
Acho que escolheria o sanatório... Lá, eu arranjava um megafone.
Quando eu vou poder parar e olhar ao redor sem me preocupar?
Hoje, eu só ia escrever um pouco. Mal sabia eu.
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Olá! Tudo bem? Como vai?
Leia de novo, agora mais rápido.
Leia três vezes, nessa velocidade.
Pronto, você acabou de imitar Joseph Klimber!
Tolices à parte, aqui estou eu de novo. E vamos que vamos.
Como não me lembro de ter escrito nada bom e publicável nesse meio-tempo - além do textinho do Sarau, que segue nesta postagem - vai um texto muito meiguinho (^^, carinhas de japonês, quem diria...) de uma amiga em segundo grau (hehe, amiga de amiga, oras...) que, aliás, foi muito bem recomendada. O seu blog, "A Toca do Texugo", é muito bom e o endereço é http://www.atocatxg.blogger.com.br/. Até me inspirou a botar um nome mais poético, mas me deu preguiça. Lembrei de Macunaíma...
Infelizmente, não tenho nenhum tipo de autorização pra fazer essa divulgação. Acabei de comunicar. Se este texto for censurado um dia, é sabido publicamente o motivo.
Aliás, o texto d'A Toca é muito bom! Dona Lia, a mãe do dito cujo, caprichou na figura. Só não caprichou na hora de comentar, hehe, porque machuca quando eu leio "auto-ajuda" sobre esse texto. Bom, se isso é auto-ajuda, imagino o que seriam "os grandes clássicos" do blog. Etc.
A citação nesse recomeço no blog é um poeminha, que só é citação porque é pequenininho. Mas é digno de postagens. Autora interessante, até surpreendente.
Aí vai! Até!
E aos novatos visitadores (se houver): sejam bem-vindos! E comentem!
Abertura
Para o 3º Sarau da Psico, sem palavras, do dia 14 de setembro de 2007.
Lucas do Carmo Lima
"Raramente conhecemos alguém de bom senso, além daqueles que concordam conosco."
François La Rochefoucauld, escritor
Eu não busco a unanimidade, porque viver sem discutir não tem graça. Nem busco terminar tudo o que comecei, pois, depois do primeiro arranhão, estaria condenado a rasgar-me ao meio. Esta miúda parcela de minha tentativa – e erro, várias vezes – parece buscar algo que está fora deste papel antiecológico que está na sua frente. Parece buscar você, que está lendo, e que poderia viver tranqüilamente sem ter vindo, parado e lido isto aqui. Parece buscar porque, no momento em que foi escrito, isso aqui já não mais pertence a mim; agora, essas linhas todas ganharam a liberdade de ser o que é compreendido, de atingir sem objetivo. A palavra virou vírus... Já não respeita mais nada além de sua própria propagação. Não há como segurar essas palavras. Agora, elas estão passando por dentro de você e deixando alguma coisa, nem que seja a vontade legítima de parar de ler. Dessa forma, ao ler tudo isto, eu mesmo me provoco, me desafio a fazer coisas, sentir coisas e pensar coisas. Mas eu não provoco ninguém ao escrever. Eu escrevi o texto, mas não o possuo. É um filho que se cria para o mundo; se ele lhe arrepia até a espinha, não é meu problema. É um filho que nasceu grande.
Estas palavras também não têm fim; são como avalanches, que não pedem desculpas, não têm pretensões e nada sentem pelas árvores que arrancaram. E, como eu e você, têm seu fim fora delas. As avalanches só param quando a montanha acaba.
Destreza
Lia, "A Toca do Texugo"
Às vezes eu penso que a vida é como uma antiga caixa de música que já não funciona mais. Uma linda e empoeirada caixinha de música que já perdeu sua melodia, mas conserva sua beleza e seus detalhes. Olhando de longe, apenas uma caixa qualquer, mas se você chega ali perto, dá uma olhada no fecho enferrujado e toca as reentrâncias trabalhadas há tempos, por um instante começar a amar aquela peça.
Você pode deixá-la ali, ou abri-la. Quando optar pela segunda, achará nada mais que centenas de linhas e fios. Todas as cores e tamanhos, espessuras e comprimentos ali entrelaçados, embaraçados. Milhares de nós naquele emaranhado sem fim dentro de uma simples caixinha. Um mundo de problemas, soluções e sorrisos simplesmente confinados pela velha fechadura que você acabou de abrir.
Então você começa a desembaraçar os nós, e quando pensa que já viu todas as cores, ali no meio acha um azul-esverdeado lindo que você ainda não tinha enxergado, aqui e ali fios de textura cada vez mais diferentes vão se revelando.
Assim, você é dona de si, faz o que bem entender com aqueles fios, sabendo que se puxar muito mais forte vai arrebentá-los, mas que se deixá-los ali, eles perecerão. Daqui a pouco você encontra um nó que não pode desatar, por mais que tente, morda, esperneie ele não cede, e você passa a desatar outros, porque apesar dele, ainda muitas coisas precisam ser resolvidas. Apesar de você não ter o poder de desatá-lo, você pode atar outros fios da maneira que bem entender, e formar novos emaranhados, ou tornar as coisas simples e desembaraçadas, na medida do possível. São suas escolhas.
Depois de você mexer ali por muito tempo, encontra lá no fundo a bailarina que costumava dançar na caixinha. Que se colocava de pé e rodopiava divinamente, mas foi sufocada pelas fitas e linhas. Esse é seu coração. Coloque-o acima de todas as fitas, para que estas sejam o seu ninho, e ele seja livre e respire.
A caixa pode não ter mais música, pode estar empoeirada e ter infinitos nós dentro, mas é linda, de uma beleza inestimável. É a sua vida. Ame-a com todas as suas forças, e se empenhe em desvendá-la a cada dia, a cada nó, a cada cor, a cada textura.
A caixa está à sua frente, o que você vai fazer? Deixá-la trancafiada ou abri-la? A escolha é sua, e somente sua.
Já diziam os antigos...
Moldura
Particularmente,
não há dificuldade
(ou desespero)
em não ter asas.
Mas em tê-las
e não poder voar.
Ana Lucia Cortegoso, psicóloga e poetisa.
quarta-feira, 25 de abril de 2007
Ma' como?
Lucas do Carmo Lima
Mistério é a chave
Chave para o encantamento
Encanto justo ao coração dos tolos
Tolos todos crentes no juramento
Jurados de toda perdição
E perdido está quem acredita no tempo
Tempo que torna os velhos tolos
Todos gênios, guardiões de um sacramento
Sacramento insano, porque vivo
Vivido na emoção, sem nenhum lamento
Lamento de quem não acreditou
Numa crença, num sentimento.
É, então, o mistério que dá valor
Valor que não se compra; é momento
Momento perpétuo naquele que pulsa
Sangue em aquecimento
Quente desejo por atrair
Atração com fundamento
Fundada na pura abstração
Divinos castelos de vento
Sopro da livre admiração
Mira sem discernimento
Sem entender, embora claro
Impassível em seu acobertamento.
Coberto de razão
E desrazão, sem consentimento
Sentiu o mistério nas mãos
Maneja o conhecimento
Conheço, então! Eis que é
... La Buena Del DJ Lucón
(só pra variar um pouco, espalhar a poeira)
Luiza, Tom Jobim
sexta-feira, 6 de abril de 2007
Memorandum
Presidente e CEO - Lucas.net Virtual Corporation
quinta-feira, 8 de março de 2007
A volta do bloguêmio
Primeiro, peço perdão pelo trocadilho escroto do título.
Postar isso no Dia Internacional da Mulher só pode ser sacanagem comigo, não? Hahaha...
Volto à ativa no blog, assim como estarei voltando à ativa no curso de Psicologia também. Como voltar à ativa requer tempo, economizarei no falatório hoje. Posto aqui um texto bem atual (tipo de hoje) que eu acabei de escrever, que é meio tosquinho mas tá valendo. E indico três belas músicas (que acompanham bem o texto; praticamente o amendoim que acompanha o truco).
Atés!
Um cachorro que caiu da mudança (08/03/2007)
Lucas do Carmo Lima
Estou perdido.
Desde a última vez que me senti assim... Bom, não me lembro se já me senti assim, nesta forma tão instável e estranha. Não posso nem dizer que me sinto vazio, um oco da alma... Não, isso não. O que há dentro de mim é mais do que eu posso descrever. Posso sentir, posso tocar. Mas não está tão dentro mais; está mais é fora. A verdade e tudo mais estão lá fora, me olhando de raspão, sem interesse nem muita atenção.
É uma sensação de ser prisioneiro de uma guerra fria. Nem te mataram, nem te venceram... Mas te largaram, te esqueceram. Nem ao inimigo serves mais. Não és ameaça ou troféu, mas apenas os restos do desprezo que a desimportância proporciona.
Talvez não seja nem desprezo o que sinto. É a indiferença mortal que acontece quando parece que só pra ti as coisas aconteceram, e o resto do mundo não viu nem um segundo de tudo o que passaste. As pessoas tocam suas vidas como um barco a ser remado a favor da correnteza, enquanto tu estiveste o tempo todo a remar para o lado contrário, tentando ver pela última vez alguém pelo qual você passou e que nem está mais lá. O que restou é a idéia intransponível e renitente de que, a qualquer momento, verás o tal alguém, e, naquele momento, poderás pensar que tudo pôde valer a pena.
Eu já não posso agüentar esta situação desgraçada. Eu estou vivendo meus dias todos, há seis meses, a lembrar e lamentar. E uma esperança que não cessa insiste, mesmo que ínfima, a negar sua insignificância. Por mais que eu aceite minha debilidade em lidar com os fatos naqueles dias tão dourados quanto cinzentos, parece que não tenho como escapar da lembrança sórdida que me surge.
É difícil ter que admitir que não saiba lidar com a derrota, principalmente quando é algo que mereceu tanta teimosia. É difícil perder para a derrota. Eu perdi e, por mais que os cenários mais otimistas que eu imagine me inspirem, jamais estarei sequer próximo a tudo o que eu quis naqueles dias. Nada que eu fiz de caso pensado deu certo. O que eu fiz por acaso, tampouco. É difícil admitir que não superei nada disto ainda e que meu coração pulsa pesado e dolorido ao escrever estas palavras.
Admitir é difícil. E quando se recebe tudo facilmente, como uma conseqüência natural das coisas, ou, pelo menos, se vê as coisas desta maneira, admitir é complexo, é algo que não se entende. Quando persistir nunca foi tão preciso e falhei. Porque não adianta nada persistir por dentro; tens que persistir para fora, tens que canalizar para poder direcionar, e não concentrar para explodir e esvaziar.
Olho ao meu redor e vejo só felicidade. Sorrisos por todos os lados. A alegria que emana das pessoas é um raio de luz nos olhos, que ofusca a visão. E eu aqui, na sombra que eu mesmo faço com as mãos, que tremem de nervosas. Nunca estive tão triste por não ter o que nunca tive. Jamais isso me afetou tanto quanto hoje. Por ser que seja porque hoje isto está mais próximo de mim, mais claro e evidente. Ou porque já esteve pra mim, clara e evidentemente, que a minha vez havia chegado, que a hora estava sendo contada em modo regressivo e que os instantes passavam serelepes sabendo de tudo que os sucederia.
Ninguém mais me é ideal. Ninguém mais me é assim tão especial; ninguém mais se destaca tanto no meio do povo. Não tem mais quem eu olhe, então eu olho para tudo. Perdi o objeto final, o destino horizontal de minha admiração. E estou completamente jogado entre minhas tralhas sentimentais. Estou entre a elaboração literária e o fato literal. No fio da navalha. Melhor, estou na sarjeta. Eu estava na sacada e agora tento achar as fotos antigas no sótão.
Não quero crer que meus dias irão correr desta forma, e talvez mais áridos e intensos, com o início de uma terrível rotina de “flashbacks” do castelo de areia que eu estava construindo e caí em cima. Não quero, mas tenho que esperar isso, para que eu não me quebre mais ainda. É mais ou menos como naquela velha frase sobre a crença nas bruxas...
Sinto que quero dizer que não sei de mais nada, virar pra janela e olhar o pôr-do-sol sem temer o que virá no próximo amanhecer. Mas agora é noite alta, e o amanhã é algo que ainda me assusta. Tenho muitas incertezas sobre o que vai acontecer daqui pra frente em certas coisas da minha vida, outras não me preocupam... De vez em quando eu queria ter sido como as outras pessoas que eu conheço, sabe... Com uma vida um pouco mais corriqueira, menos anormal. Uma vida tão previsível quanto minhas falas de efeito. Uma vida tão previsível quanto minhas brincadeiras sem graça. Mas as minhas coisas andam num ritmo pouco marcial, talvez tão sinuoso quanto as opiniões que as pessoas têm de mim. Ou que eu acho que têm, porque as pessoas não dizem pra qualquer um e nem a todo momento a opinião que têm sobre outras pessoas.
Algumas pessoas que conheço já me disseram, quando conversando sobre beber demais e fazer coisas desprezíveis das quais as pessoas se gabam tolamente, que “quem não bebe não tem histórias”. Talvez, pensando por este lado, a minha vida, pouco usual do jeito que vem sendo nos últimos 19 anos, seja a grande história que contarei pros meus filhos e netos. Um história que pode não ser gloriosa, etílica ou digna de orgulho até lá, mas será, no mínimo, curiosa. E uma história que não deverá ser repetida.
A(s) Boa(s) do DJ Lucão
(o nome não poderia ser mais idiota, mas o que vale é a ideia, não é verdade?)
Moon River, Henry Mancini
Pedacinho do Céu, Waldir Azevedo
Stuck In A Moment, U2
sábado, 27 de janeiro de 2007
Caminhando e postando...
Vamos colocar o preço da ligação do 0300 a R$ 0,30. Então, teremos... R$ 8.700.000,00. Isso mesmo! Oito milhões e setecentos mil reais, que o povo brasileiro gastou ( e gasta ), em cada paredão! Suponhamos que a Rede Globo tenha feito um contrato "fifty to fifty" com a operadora do 0300, ou seja, ela embolsou R$ 4.350.000,00. Repito: somente em um único paredão!
Alguém poderia ficar indignado com a Rede Globo e a operadora de telefonia ao saber que as classes menos letradas e abastadas da sociedade, que ganham mal e trabalham o ano inteiro, ajudam a pagar o prêmio do vencedor e, claro, as contas dessas empresas. Mas o "x" da questão, caro(a) leitor(a), não é esse. É saber que paga-se para obter um entretenimento vazio, que em nada colabora para a formação e o conhecimento de quem dela desfruta; mostra só a ignorância da população, além da falta de cultura e até vocabulário básico dos participantes e, consequentemente, daqueles que só bebem nessa fonte.
Certa está a Rede Globo. O programa BBB dura cerca de três meses. Ou seja, o sábio público tem ainda várias chances de gastar quanto dinheiro quiser com as votações. Aliás, algo muito natural, para quem gasta mais de oito milhões numa só noite! Coisa de país rico como o nosso, claro!
Nem a Unicef, quando faz o programa Criança Esperança, com um forte cunho social, arrecada tanto dinheiro. Vai ver, deveriam bolar um "BBB Unicef". Mas, tenho dúvidas se daria audiência. Prova disso, é que na Inglaterra, pensou-se em fazer um Big Brother só com gente inteligente. O projeto morreu na fase inicial, de testes de audiência. A razão? O nível das conversas diárias foi considerado muito alto, ou seja, o público não se interessaria.
Programas como BBB existem no mundo inteiro, mas explodiram em terras tupiniquins. Um país onde o cidadão vota para eliminar um bobão (ou uma bobona) qualquer, mas não lembra em quem votou na última eleição. Que vota numa legenda política sem jamais ter lido o programa do partido, mas que gasta seu escasso salário num programa que acredita de extrema utilidade para o seu desenvolvimento pessoal e, que não perde um capítulo sequer do BBB para estar bem informado na hora de pagar pelo seu voto. Que eleitor é esse? Depois, não adianta dizer que político é ladrão, corrupto, safado, etc. Quem os colocou lá? Claro, o mesmo eleitor do BBB!
Aí, agüente a vitória de um Severino não-sei-das-quantas para Presidente da Câmara dos Deputados e a cara de pau, digo, a grande idéia dele, de colocar em votação um aumento salarial absurdo a ser pago pelo contribuinte. Mas o contribuinte não deve ligar mesmo, ele tem condições financeiras de juntar R$ 8 milhões em uma única noite para se divertir, ao invés de comprar um livro de literatura, filosofia ou de qualquer assunto relevante para melhorar a articulação e a autocrítica...
Chega de buscar explicações sociais, coloniais, educacionais. Chega de culpar a elite, os políticos, o Congresso. Olhemos para o nosso próprio umbigo, ou o do Brasil. Chega de procurar desculpas, quando a resposta está em nós mesmos. A Rede Globo sabe muito bem disso, os autores das músicas Egüinha Pocotó, O Bonde do Tigrão e assemelhadas, sabem muito bem disso; o Gugu e o Faustão também; os gurus e xamãs da auto-ajuda idem.
Não é maldade nem desabafo. É constatação.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2007
Em Stand-by...
Metáforas (18/01/2007)
Lucas do Carmo Lima
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
Resignado
Lucas do Carmo Lima
Cai em véu delicado o pranto das nuvens. Mas que bela chuva pra inaugurar belas férias! As pessoas voltando, eu voltando, a saudade voltando (lenta, porém constante), as coisas voltando (aos lugares de antes, mais ou menos)... Tenho a nítida sensação de que este semestre poderia ter sido muito mais se tivesse sido mais organizado. Ou mais ousado. Mas levo comigo (pelo menos até hoje, que amanhã será uma chuva diferente que cairá) um certo orgulho, uma certa melancolia, com um discreto sorriso no rosto, quase que involuntário, porque algumas coisas realmente valeram a pena (por menor que a pena e as coisas foram).
No começo, os fatos foram pipocando em acontecimentos dos mais variados, dos mais gostosos, dos mais assustadores, dos mais tristes e surpreendentes. Foi uma empolgação e uma apreensão, uma suadeira das mãos que não sabiam onde parar (ou estacionar)... Um ar de novo que infla nossos pulmões a cada fôlego mais forte. Respirar fundo era sempre uma aventura! Um sangue fresco que corre na gente, com o frescor do retorno pleno de férias de julho.
As coisas vieram... E eu, em plena condição de único proprietário de mim mesmo, fiz... O que pude, o que quis, o que me impus. Também não fiz muitas coisas, das quais não poderia me arrepender exatamente porque nunca aconteceram. Mesmo assim, foi um bom momento para parar, observar, e engolir seco a cada omissão ou cada besteira. Era minha responsabilidade, eu que não fiz e paguei (caro). Ora, a vida é minha, o problema é meu!
E assim as coisas começaram a se arrastar conforme os dias foram avançando. Grandes passos deram certo. Pequenos passos deram errado. Nessa lenga-lenga infernal de paradoxos, eu virei, da noite pro dia (numa tarde que deveria ser muito boa) o centro das tomatadas. Não que as pessoas tivessem coragem e lisura de chegar e falar, mas foi por vigésima terceira (à época, vigésima segunda) pessoa, a qual realmente guarda uma consideração enorme por mim e que faço questão de retribuir quando permitido. Nos poucos dias posteriores, perdi a calma e ganhei um charuto. Ganhei respeito (ou antipatia, ou nenhuma das alternativas). Mas as coisas foram se ajeitando, e hoje não preciso de mais que um colete à prova de balas.
Como não poderia deixar de ser, num dia em que o desespero me tomou por pousada, abri os olhos e dezembro me fez uma careta. Começou a maior várzea da história deste transeunte da São Carlos. O trabalho foi um lema e o tempo, uma ficção. Minha pobre cabeça esteve para estourar e os acontecimentos pipocaram de novo, sem a vitalidade de outrora, e sim com acidez... Mais ou menos como uma chuva de gotas de óleo quente. Tudo esteve, por cinco curtos e abrasivos dias, tão evidente quanto um iceberg e tão estável quanto um suicida.
Esses dias passaram; a temporada está a findar. Vai abaixo o último grão de tempo que eu consegui economizar pra ir em paz pras minhas férias. O último arzinho de julho, exuberantemente saturado, prestes a dar o fora. Já não há outras formas de aproveitá-lo, a não ser botar pra fora, pra dar espaço a uma nova inspiração. Verei por esses dias. Não sei se transpiro de nervoso ou cansado. Além do mais, vi que não posso me responsabilizar pelo que não é da minha parte. Mesmo não sabendo exatamente o que é ou não da minha parte, já estou pegando mais leve comigo. Pra ficar mais leve.
Desta forma, considero encerrados meus trabalhos. Entrarei de cabeça numas férias novamente revigorantes e voltarei mais uma vez à velha terra que me viu surgir para a vida. Uns suspiros para desabafar o coração ou adoçar os sentimentos, é isso que me espera de começo. Depois, quem sabe? O futuro é uma coisa que efetivamente não existe, mas tem uma não-existência bem influente. Como um buraco negro, que suga as coisas pra sua total desintegração, seu fim. Coisa boba, sem propósito.
Se não foi assim, foi por aí. Vou por aí.
segunda-feira, 20 de novembro de 2006
De repente, não mais que de repente...
domingo, 12 de novembro de 2006
Pensamentos soltos traduzidos em palavras...
sexta-feira, 10 de novembro de 2006
Só mais uma...
Mudando de assunto...
Seria perfeito, não fosse o pequeno defeito de não existir. Há descrição melhor?
Lulu Santos
Ela me encontrou
Eu tava por aí
Num estado emocional tão ruim
Me sentindo muito mal
Perdido, sozinho
Errando de bar em bar
Procurando não achar
Ela demonstrou tanto prazer em estar em minha companhia
Eu experimentei uma sensação que até então não conhecia
De se querer bem, de se querer quem se tem
Ela me faz tão bem, ela me faz tão bem
Que eu também quero fazer isso por ela
terça-feira, 24 de outubro de 2006
Outras coisas que me ocorrem
Acabei de escrever um texto no estilo do anterior, embora com uma poesia no meio. É, como diria o Kaiser, a "pegada" do momento.
Basta de nomes!
Aí vai!
Mensagem na garrafa (24/10/2006)
Lucas do Carmo Lima
A esperança se parece com uma semente que jogamos ao chão. Se floresce, eu nem preciso comentar (ou não posso). Se não, esperamos até que um passarinho mais esperto que a gente venha e recolha a semente.
Estou a ponto de explodir. Minhas teorias já não fazem mais sentido, não sei se raiva apaga o resto. Não consigo mais entender a situação baseado apenas no que eu, enquanto ilha quadrada, posso inferir. Não mais. Não dessa forma.
Se estou assim, à deriva... Deriva... Deriva... Viajando ao sabor da irresponsabilidade, do lirismo e da paixão. Deve ser isso.
Uma mensagem numa garrafa... É esse o nível de previsibilidade que eu tenho! Destino incerto, recepção incerta, receptor incerto, reação incerta... Até a mensagem é incerta. Certa, só a garrafa.
É uma das primeiras vezes que a palavra “paixão” aparece nos meus textos. Pelo menos no contexto em que ocorre da forma mais cruel. Não gosto de escrevê-la... É muito chavônica, soa como música de corno. Sinto-me quase um corno. Só falta o cornoamento em si. De resto, a solidão está aí, a música está aí...
Um poema sem seu nome (24/10/2006)
Lucas do Carmo Lima
Pena não conhecê-la a ponto de abordá-la.
Pena não inebriá-la a ponto de possuí-la.
Pena não abraçá-la a ponto de beijá-la.
Pena não surpreendê-la a ponto de seduzí-la.
Pena não acariciá-la a ponto de tocá-la.
Pena não encantá-la a ponto de cativá-la.
Pena eu não ser o que queria.
Pena eu não fazer o que pretendia.
Pena eu não apreender o que precisaria.
Pena. A última coisa que preciso.
A única que possuo.
A única que desprezo.
Que pena.
Já diziam os antigos...
"Não se vive dentro da felicidade. A felicidade é um jardim que quase sempre atravessamos distraídos. Mais tarde ele vem-nos à memória e isso traz-nos um sorriso aos lábios. A lembrança de um jardim não é um jardim, mas cheira bem." Faíza Hayat, escritora
"Beyond your flowers of flaming truth" Cake, Frank Sinatra
segunda-feira, 16 de outubro de 2006
Coisas que me ocorrem
Lucas do Carmo Lima
Esqueci a bela frase que queria escrever. Eu lembrei dela ontem. Eu a fiz ontem. Hoje, nem sombra. Era uma frase que diria do sofrer sem sentido, da vida sem sentido, do falar sem sentido. Era mesmo uma boa frase. Mas se foi.
E que sentido teria lembrá-la? Nenhum?
E com a frase, foi um dos momentos mais interessantes até agora. Foi embora. Dos momentos que nos apunhalam, que dói até agora. De frente. Fatal. Não sou eu primeiro, nem foi a primeira vez, não foi nada. Nada inofensivo. D’onde saiu? Pr’onde vai? Como, quando... Quando...
Tenho um pouco de medo. De estar fazendo algo terrível, que machuca. Não merece, definitivamente. Mas eu não sei o que fazer. De novo, mais uma vez. Tudo gira em torno disso. Não sei se sou comum, o que acham de mim. Mas não sei nem se isso é importante... Não, isso eu sei. Sei que sim.
Conhecer pessoas é fascinante. Os contrastes, como as pessoas são diferentes... Idiossincráticas, únicas, impasteurizáveis, individuais, enigmáticas. Como as pessoas surpreendem. Frustram. Pessoas são macrocósmicas, assombrosas.
Pois é, a gente ouve as coisas pela metade e quanto mais pela metade mais insiste em ficar. Ouvi muitas coisas pela metade nesses tempos. Mas só uma até agora está rendendo. Pode ser tudo o que eu queria ouvir, que pode ser bom ou ruim. Mas pode ser tudo o que eu não queria ouvir, o que é ruim. Aliás, há algum tempo eu precisava ouvir uma coisa dessas; tem coisas que eu já estou carregando comigo faz um tempo.
Coisas que eu não entendo. Mesmo assim eu não consigo. Eu queria chorar mas não posso. Não sei como. Não sei nada.
Sinto ser tudo o que eu não quero e reprovo: falso. Na maioria do tempo. Não que eu pense e assim faça. Apenas sai, sem censura. É como o caminho mais curto.
Não consigo conversar com quem eu quero. Não tem papo. Não consigo desenrolar. Não dá. Por que quando a gente mais quer a gente não conversa? O que será isso? Quando a gente... Esqueci.
Cão que late não morde. É uma frase que eu venho pensando. Eu nunca acreditei muito nessa frase. Experimenta dar a mão prum cão latindo! Ou ele fica sem saber o que fazer – eu – ou morde. Preciso aprender a morder. E a avançar.
Continua doendo. E eu já senti essa dor antes. Igual, mas não a mesma. E eu também já ouvi o que não queria. Aliás, muita coisa que eu não queria. Mas é melhor saber o que não se quer saber que não saber o que se quer saber. Mas será que é melhor saber o que não se quer ou não saber o que se quer?
Fracasso. A última palavra que me veio à cabeça.
Não sei quem está lendo. Mas, se estiver sendo lido, deixo um aviso. É: este texto não foi feito pra fazer sentido. Na verdade, nem era pra existir, se eu fosse realmente uma pessoa sensata. É duro jogar um jogo sem saber as regras.
Penso alto. Nos diversos sentidos possíveis. Mas só há um sentido para a realidade: para baixo. Não gosto de ser pessimista, mas nada há que consiga nesse instante trazer de volta, de algum lugar, meu otimismo, minha felicidade. Enquanto isso, queimo minha esperança. Palavras bonitas que não têm o peso que carregam.
Fico sem reação. Toda vez. Não acerto uma dentro. Eu penso rápido demais pra conseguir pensar alguma coisa inteligente. Alguma coisa bonita. Alguma coisa. A faca e o queijo na mão, assim, bonitinho, e nada. Sou um incompetente. Lembrei-me novamente de fracasso.
O que não faz um belo reforço. Reforçadores profissionais... Isso deve existir. Por brincadeira, esporte ou algum experimento anti-ético, desumano, frio e estatístico, de sujeito único – digo um por vez – ou talvez não. Senti-me sujeito por um instante. Mas eu quero muito estar errado.
Frustração e fracasso devem rimar se eu disser as duas ao contrário.
Não sei. Tenho não sabido de muitas coisas.
Está doendo menos, o que também não sei se é bom ou ruim. Sinto-me um molequinho do jardim de infância, visitando a vida adulta sem compromisso. Odeio tomar decisões, mas é o que eu preciso fazer.
Texto “rançoso” e ruim. Não sei como se escreve “rançoso”. O Word me corrigiu.
Acho que vou passear hoje à noite. Tenho a dádiva divina do automóvel à minha disposição. Estou melhor. Vou ver se faço algo. Gosto de dirigir à noite, pôr um som e relaxar. É isso que eu preciso: relaxar. Vou ver se faço algo hoje à noite.
domingo, 8 de outubro de 2006
Singelo, minha cara...
sábado, 22 de julho de 2006
Verborrágico dobrar do Cabo da Boa Esperança
Que faço eu?
Como faço então?
Tudo o que digo - com todas as sílabas, decerto -
Feliz e desesperado
Transbordando.
Deixei-me levar pelo que disse uma amiga; soltei as rédeas da vida, relaxei, respirei e esperei. Sendo miragem ou não, parece-me que chego onde queria há algum tempo. Avisto belíssima paisagem, pouco enevoada, porém igualmente cifrada e misteriosa - ao menos a meus olhos.
Densa mata ainda barra a vista do âmago da nova terra; as praias dão as boas-vindas ao viajante das marés. Cá de longe inspiro esperanças e receios: águas desconhecidas ainda causam-me estranheza, assim como novo estabelecimento em tão exuberante lugar.
Logo flagro-me a traçar planos, vislumbrar um futuro harmonioso em tão impressionante morada... Tolice! Tudo pode não passar de enganos dos sentidos. A vontade de chegar é tanta que posso estar vendo o que quero, não tudo o que realmente está ou não. O horizonte pode apenas iludir-me ou me presentear. Muito tempo a deriva pode ter afetado a razão, quando forças menos lógicas embaraçam a apreciação fria do fato.
Se real a ilha, novos horizontes verei, novas experiências terei, velhos desejos explorarei. Afinal, a espera longa engrandece a conquista. E, se tudo não passar de falso brilhante, terei aproveitado a sensação de que havia, então, encontrado uma oportunidade perfeita para caminhar por trilhas novas e fascinantes.
A distância ainda me engana; na verdade, não tenho uma noção certa de distância: dias, meses, semanas, instantes. Basta a vontade da maré. Meus movimentos em muito já me atrapalharam; é momento de abrir os braços e não resistir ao destino incerto do tempo.
Posso sentir: o momento está para chegar. Nada mais posso adiantar: todo o resto ainda aguarda, inacessível. Mas poderei me conter ao obter a mais tênue definição possível. A lacuna está com seu túmulo devidamente preparado. Só haverá lugar para nova felicidade ou antiga decepção. Mas estou farto da decepção. Já diziam os antigos...
"O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê." Platão, filósofo grego
