segunda-feira, 20 de novembro de 2006

De repente, não mais que de repente...

...resolvi sentar e escrever. Mas escrever algo com alguma estrutura.
Não verdade não fui eu, foi meu eu-lírico que não é parnasiano, mas pensa que é...
Bom, eu escrevi e ficou uma, com o perdão da palavra, bosta. Daí já viu, esmerilhei a bagaça, mais ou menos, fui moldando enquanto a argila ainda estava fresca, e saiu o que saiu.
Ao invés de "coração" era "espírito", mas a troca foi irresistível.
Veja a situação: comendo miojo e ouvindo Los Hermanos... Tô mal, viu... Hehehe...
É, eu tô fudido. Puto. E estou ficando louco. E é responsabilidade minha.
Já me insultei bastante. Fico por aqui. Como sempre. E só - nos dois sentidos.

Uma leve garoa para um coração em chamas (20/11/2006)
Lucas do Carmo Lima
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Nebuloso, como o horizonte
nesses dias de chuva forte,
erra por um caminho de sorte
que só a pacata passividade
há de garantir...
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Eis que então, ao bater de fronte,
um olhar frio como a morte,
sem convite, abre o corte,
que explode em perplexidade,
no céu a ruir...
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Inerte, ruma para a ponte,
que talvez aponte para a sina ou entorte
o caminho em direção a outro norte,
a deixar, assim, aquela bizarra imagem na saudade
e começar a partir...

Já diziam os antigos...
"A história do nosso desejo é uma história longa e difícil, quase sempre à revelia da nossa prória história, que por isso mesmo nos fala, e diz, do mistério de nós." Isabel Leal, psicóloga

domingo, 12 de novembro de 2006

Pensamentos soltos traduzidos em palavras...

O título é de autoria de Quest, J.
Na verdade, nem sei porque eu estou escrevendo isso...
Em Gestalt-Terapia, trabalha-se os sonhos considerando-os mensagens existenciais, uma certa forma de comunicação de necessidades da pessoa. Se eu me lembrasse do que sonho (ou sonhasse mais regularmente, não sei dizer), creio que ouviria algo do tipo:
SEU BUNDÃO, ACORDE E VÁ FAZER ALGUMA COISA!
Outra coisa: o mundo digital, virtual, cibernético et coetera transformou nossos olhos em ouvidos e nossos dedos em voz... Como a Internet é poética, não é?

Já diziam os antigos... (e bota antigo nisso)
"Thinking bad, dancing good!" Donknoh Whu (nome anglicanizado de Seilah Kem, sábio formidável), citado por Tatiana Perecin, jamais-arquiteta, futura psicóloga e baixinha

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Só mais uma...

Eu queria só postar alguma coisa. Mesmo que tosca. E é o que farei.
Mudando de assunto...
Seria perfeito, não fosse o pequeno defeito de não existir. Há descrição melhor?

Ela me faz tão bem

Lulu Santos

Ela me encontrou
Eu tava por aí
Num estado emocional tão ruim
Me sentindo muito mal

Perdido, sozinho
Errando de bar em bar
Procurando não achar

Ela demonstrou tanto prazer em estar em minha companhia
Eu experimentei uma sensação que até então não conhecia
De se querer bem, de se querer quem se tem

Ela me faz tão bem, ela me faz tão bem
Que eu também quero fazer isso por ela

Já diziam os antigos...
"O êxito parece doce a quem não o alcança." Emily Dickinson, poetisa

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Outras coisas que me ocorrem

Assim como no blog da Gabi, isso aqui tá a cara de um diário. Mas publicável, de certa forma. Preservando o anonimato. Quem não gostou do anonimato foi a Raquel e a Kátila (blogueiras) e a Tania (cafeinólatra). Fazer o quê? Uma hora vaza; e daí vai fazer que nem uma represa: vai rachando e jorrando tudo o que ficou estancado, por segurança...
Acabei de escrever um texto no estilo do anterior, embora com uma poesia no meio. É, como diria o Kaiser, a "pegada" do momento.
Basta de nomes!
Aí vai!


Mensagem na garrafa (24/10/2006)

Lucas do Carmo Lima

A esperança se parece com uma semente que jogamos ao chão. Se floresce, eu nem preciso comentar (ou não posso). Se não, esperamos até que um passarinho mais esperto que a gente venha e recolha a semente.

Estou a ponto de explodir. Minhas teorias já não fazem mais sentido, não sei se raiva apaga o resto. Não consigo mais entender a situação baseado apenas no que eu, enquanto ilha quadrada, posso inferir. Não mais. Não dessa forma.

Se estou assim, à deriva... Deriva... Deriva... Viajando ao sabor da irresponsabilidade, do lirismo e da paixão. Deve ser isso.

Uma mensagem numa garrafa... É esse o nível de previsibilidade que eu tenho! Destino incerto, recepção incerta, receptor incerto, reação incerta... Até a mensagem é incerta. Certa, só a garrafa.

É uma das primeiras vezes que a palavra “paixão” aparece nos meus textos. Pelo menos no contexto em que ocorre da forma mais cruel. Não gosto de escrevê-la... É muito chavônica, soa como música de corno. Sinto-me quase um corno. Só falta o cornoamento em si. De resto, a solidão está aí, a música está aí...
Um poema sem seu nome (24/10/2006)

Lucas do Carmo Lima

Pena não conhecê-la a ponto de abordá-la.
Pena não inebriá-la a ponto de possuí-la.
Pena não abraçá-la a ponto de beijá-la.
Pena não surpreendê-la a ponto de seduzí-la.
Pena não acariciá-la a ponto de tocá-la.
Pena não encantá-la a ponto de cativá-la.
Pena eu não ser o que queria.
Pena eu não fazer o que pretendia.
Pena eu não apreender o que precisaria.
Pena. A última coisa que preciso.
A única que possuo.
A única que desprezo.
Que pena.

Já diziam os antigos...

"Não se vive dentro da felicidade. A felicidade é um jardim que quase sempre atravessamos distraídos. Mais tarde ele vem-nos à memória e isso traz-nos um sorriso aos lábios. A lembrança de um jardim não é um jardim, mas cheira bem." Faíza Hayat, escritora

"Beyond your flowers of flaming truth" Cake, Frank Sinatra

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Coisas que me ocorrem

Eu estive aqui, com meus botões, a pensar sobre a chuva. Bela chuva caiu hoje. Bonita mesmo! Juro que pensei em escrever algo sobre a chuva, a beleza, a beleza da chuva, alguma coisa legal. Alguma coisa a se comentar. Não me veio nada à cabeça.
Resolvi que vou postar isso aqui. Na verdade, já postei. Não: posto agora!
Textinho pós-Semana, nada bobo. Ou bastante. E junto ao texto, ou depois dele, uma frase de uma música (em inglês, já que eu não me atreveria a traduzir dizeres tão poéticos e expressivos em sua língua original).
É. (inspirado em: Morel, 2006. A Frase de Impacto. ©O Mundo das Idéias, todos os direitos reservados)

Pensando Alto (23/09/2006)

Lucas do Carmo Lima

Esqueci a bela frase que queria escrever. Eu lembrei dela ontem. Eu a fiz ontem. Hoje, nem sombra. Era uma frase que diria do sofrer sem sentido, da vida sem sentido, do falar sem sentido. Era mesmo uma boa frase. Mas se foi.

E que sentido teria lembrá-la? Nenhum?

E com a frase, foi um dos momentos mais interessantes até agora. Foi embora. Dos momentos que nos apunhalam, que dói até agora. De frente. Fatal. Não sou eu primeiro, nem foi a primeira vez, não foi nada. Nada inofensivo. D’onde saiu? Pr’onde vai? Como, quando... Quando...

Tenho um pouco de medo. De estar fazendo algo terrível, que machuca. Não merece, definitivamente. Mas eu não sei o que fazer. De novo, mais uma vez. Tudo gira em torno disso. Não sei se sou comum, o que acham de mim. Mas não sei nem se isso é importante... Não, isso eu sei. Sei que sim.

Conhecer pessoas é fascinante. Os contrastes, como as pessoas são diferentes... Idiossincráticas, únicas, impasteurizáveis, individuais, enigmáticas. Como as pessoas surpreendem. Frustram. Pessoas são macrocósmicas, assombrosas.

Pois é, a gente ouve as coisas pela metade e quanto mais pela metade mais insiste em ficar. Ouvi muitas coisas pela metade nesses tempos. Mas só uma até agora está rendendo. Pode ser tudo o que eu queria ouvir, que pode ser bom ou ruim. Mas pode ser tudo o que eu não queria ouvir, o que é ruim. Aliás, há algum tempo eu precisava ouvir uma coisa dessas; tem coisas que eu já estou carregando comigo faz um tempo.

Coisas que eu não entendo. Mesmo assim eu não consigo. Eu queria chorar mas não posso. Não sei como. Não sei nada.

Sinto ser tudo o que eu não quero e reprovo: falso. Na maioria do tempo. Não que eu pense e assim faça. Apenas sai, sem censura. É como o caminho mais curto.

Não consigo conversar com quem eu quero. Não tem papo. Não consigo desenrolar. Não dá. Por que quando a gente mais quer a gente não conversa? O que será isso? Quando a gente... Esqueci.

Cão que late não morde. É uma frase que eu venho pensando. Eu nunca acreditei muito nessa frase. Experimenta dar a mão prum cão latindo! Ou ele fica sem saber o que fazer – eu – ou morde. Preciso aprender a morder. E a avançar.

Continua doendo. E eu já senti essa dor antes. Igual, mas não a mesma. E eu também já ouvi o que não queria. Aliás, muita coisa que eu não queria. Mas é melhor saber o que não se quer saber que não saber o que se quer saber. Mas será que é melhor saber o que não se quer ou não saber o que se quer?

Fracasso. A última palavra que me veio à cabeça.

Não sei quem está lendo. Mas, se estiver sendo lido, deixo um aviso. É: este texto não foi feito pra fazer sentido. Na verdade, nem era pra existir, se eu fosse realmente uma pessoa sensata. É duro jogar um jogo sem saber as regras.

Penso alto. Nos diversos sentidos possíveis. Mas só há um sentido para a realidade: para baixo. Não gosto de ser pessimista, mas nada há que consiga nesse instante trazer de volta, de algum lugar, meu otimismo, minha felicidade. Enquanto isso, queimo minha esperança. Palavras bonitas que não têm o peso que carregam.

Fico sem reação. Toda vez. Não acerto uma dentro. Eu penso rápido demais pra conseguir pensar alguma coisa inteligente. Alguma coisa bonita. Alguma coisa. A faca e o queijo na mão, assim, bonitinho, e nada. Sou um incompetente. Lembrei-me novamente de fracasso.

O que não faz um belo reforço. Reforçadores profissionais... Isso deve existir. Por brincadeira, esporte ou algum experimento anti-ético, desumano, frio e estatístico, de sujeito único – digo um por vez – ou talvez não. Senti-me sujeito por um instante. Mas eu quero muito estar errado.

Frustração e fracasso devem rimar se eu disser as duas ao contrário.

Não sei. Tenho não sabido de muitas coisas.

Está doendo menos, o que também não sei se é bom ou ruim. Sinto-me um molequinho do jardim de infância, visitando a vida adulta sem compromisso. Odeio tomar decisões, mas é o que eu preciso fazer.

Texto “rançoso” e ruim. Não sei como se escreve “rançoso”. O Word me corrigiu.

Acho que vou passear hoje à noite. Tenho a dádiva divina do automóvel à minha disposição. Estou melhor. Vou ver se faço algo. Gosto de dirigir à noite, pôr um som e relaxar. É isso que eu preciso: relaxar. Vou ver se faço algo hoje à noite.

Já diziam os antigos...
"All I want is someone I can´t resist." Aerosmith, Cryin' (Perry/Tyler/Rhodes).

domingo, 8 de outubro de 2006

Singelo, minha cara...

Mesmo o Blogspot.com não querendo que eu faça a postagem, eu o farei.
Este texto é pra você, uma boa amiga, e é isso que importa. Foda-se se ele é meio bobinho.
Merece. E é isso.

A águia é a única ave que chega a viver 70 anos. Mas para isso acontecer, por volta dos 40, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão.
Nessa idade, suas unhas estão compridas e flexíveis. Não conseguem mais agarrar as presas das quais se alimenta. Seu bico, alongado e pontiagudo, curva-se. As asas, envelhecidas e pesadas em função da espessura das penas, apontam contra o peito. Voar já é difícil.
Nesse momento crucial de sua vida a águia tem duas alternativas: não fazer nada e morrer, ou enfrentar um dolorido processo de renovação que se estenderá por 150 dias.
A nossa águia decidiu enfrentar o desafio. Ela voa para o alto de uma montanha e recolhe-se em um ninho próximo a um paredão, onde não precisará voar. Aí, ela começa a bater com o bico na rocha até conseguir arrancá-lo. Depois, a águia espera nascer um novo bico, com o qual vai arrancar as velhas unhas. Quando as novas unhas começarem a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. Só após cinco meses ela pode sair para o vôo de renovação e viver mais 30 anos.

Já diziam os antigos...
"Aqueles que nunca sofreram não sabem nada; não conhecem nem os bens nem os males; ignoram os homens; ignoram-se a si próprios." François Fénelon, escritor

sábado, 22 de julho de 2006

Verborrágico dobrar do Cabo da Boa Esperança

Olá!
Não, não diga que eu demorei pra atualizar!
Aliás, diga sim!
Bom, pouco importa.
É, como eu ia dizendo:... O que eu ia dizendo?
Ah, deixa pra lá!
Ah... Oh... Ah, sim! Lembrei!
Olá!
Faz é muito tempo que eu não mexo e remexo - não sei se era pulga ou se era percevejo - neste bolog. Vejo que as coisas andam um tanto quanto paradas, inertes, emboloradas! Sinto estar num sarcófago de idéias, talvez um sombrio necrotério de conhecimentos, ou não tão sombrio, ou nem tão necrotério... Mas este é um sopro novo na antiga chama de vela que teima, como pira olímpica, a inspirar seu (n ou p)obre mantenedor a alimentá-la a toque de caixa com palha verde, de modo que nada há de se entender desta sentença.
O importante aqui é alertar que este ínfimo Parthenon de sóbrios delírios está sendo atualizado nesse intante (durante o qual escrevo isto que está vindo à minha cabeça), o que deve invocar os espíritos (poucos) que habitam ("comentam") este receptáculo de Pombagiras e Pretosvéios a confabularem publicamente a mim o que lhes ocorre ao deleitarem do seu conteúdo.
Hoje serão p(r)ost(r)ados aqui três textos que foram censurados por mim mesmo há algum tempo atrás, tempo esse o bastante para que o censor os tenha redescoberto e reexposto. Tinha nenhuma lembrança deles; hoje despertaram meu orgulho, queridinhos do papai! Meus poeminhas toscos são toscos mas eu que fiz! E o textículo até que merece uma atenção maior (sem mais confusões, por favor, observe com cuidado a grafia...).
Oh yeah, babies! Sem dó! Cowmentem à vontade!
Pedido aos quatro cantos (10/09/2005)

Que faço eu?
Eu já sonhei,
eu já senti...
Mas eu não tenho
a prática, experiência!
Falta a ocasião
ou não aproveitei as sutis oportunidades?

Como faço então?
Se falho em pensar demais,
observar bastante,
agir pouco.
Raciocinar atrapalha,
pelo menos de vez em quando...

Tudo o que digo - com todas as sílabas, decerto -
tem algum significado, senão alguns,
oculta e objetivamente encaixados,
nada que uma leitura paranóica não resolva.
Porém, e incontestavelmente,
o que faço parece fazer pouco sentido.

Feliz e desesperado
por tê-la e não ao meu lado de dentro,
paro por aqui com um beijo e um afago
no fundo de sua alma nítida, pulsante e,
a mim, intocável, ainda,
dizendo baixinho "me cuida,
que a ti cuido com os olhos".
Feliz insônia (12/09/2005)

Transbordando.
Por quê?
Talvez uma doce ilusão
- sonho de uma noite de verão, chavão romântico -
ou fase nova.
Estranha música para meus ouvidos,
ainda assim, música...
Resta apenas deixar-me fluir.
Afinal, independe, de mim, a maré...
Achamento (12/09/2005)

Deixei-me levar pelo que disse uma amiga; soltei as rédeas da vida, relaxei, respirei e esperei. Sendo miragem ou não, parece-me que chego onde queria há algum tempo. Avisto belíssima paisagem, pouco enevoada, porém igualmente cifrada e misteriosa - ao menos a meus olhos.

Densa mata ainda barra a vista do âmago da nova terra; as praias dão as boas-vindas ao viajante das marés. Cá de longe inspiro esperanças e receios: águas desconhecidas ainda causam-me estranheza, assim como novo estabelecimento em tão exuberante lugar.

Logo flagro-me a traçar planos, vislumbrar um futuro harmonioso em tão impressionante morada... Tolice! Tudo pode não passar de enganos dos sentidos. A vontade de chegar é tanta que posso estar vendo o que quero, não tudo o que realmente está ou não. O horizonte pode apenas iludir-me ou me presentear. Muito tempo a deriva pode ter afetado a razão, quando forças menos lógicas embaraçam a apreciação fria do fato.

Se real a ilha, novos horizontes verei, novas experiências terei, velhos desejos explorarei. Afinal, a espera longa engrandece a conquista. E, se tudo não passar de falso brilhante, terei aproveitado a sensação de que havia, então, encontrado uma oportunidade perfeita para caminhar por trilhas novas e fascinantes.

A distância ainda me engana; na verdade, não tenho uma noção certa de distância: dias, meses, semanas, instantes. Basta a vontade da maré. Meus movimentos em muito já me atrapalharam; é momento de abrir os braços e não resistir ao destino incerto do tempo.

Posso sentir: o momento está para chegar. Nada mais posso adiantar: todo o resto ainda aguarda, inacessível. Mas poderei me conter ao obter a mais tênue definição possível. A lacuna está com seu túmulo devidamente preparado. Só haverá lugar para nova felicidade ou antiga decepção. Mas estou farto da decepção.
Já diziam os antigos...

"O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê." Platão, filósofo grego

sábado, 27 de maio de 2006

terça-feira, 2 de maio de 2006

Algumas palavras

Hoje só vou colocar duas frases interessantes acerca de poder. Só isso.

Já diziam os antigos...

"Não há poder. Há um abuso do poder, nada mais." Henri Montherlant

"Quando, alguma vez, a liberdade irrompe numa alma humana , os deuses deixam de poder seja o que for contra esse homem." Jean-Paul Sartre

sábado, 8 de abril de 2006

Com o pé direito!

Olá!
Depois de milhões de anos de extinção, cá estou eu para dar uma balançadinha no coreto!
Bem, pra começar bem, comecemos com uma piada. Afinal, a vida é uma piada (vide Cunha, R. E.T.C.)!
E como eu comprei um livrinho de piadas do Nani, eu tenho munição pra caramba!
Começando, então, finalmente...
Deleitem!


Já diziam os antigos...

"Uma charge fala mais que mil piadas." Seilah Kem, famoso por 5 minutos.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

Voltando...

Depois de um breve recesso, estou de volta!
Sem relativamente nada a fazer, estava este que vos fala na Internet, viajando entre sites e mais sites... Até que este texto se fez presente, ao menos na tela do computador.
Eis o texto. Achei muito interessante. O autor é um prestigiado e carismático palestrante, que diz-se "pesquisador do Comportamento Humano" (entre aspas pois não conheço seu trabalho para poder afirmar) e que lançou um livro intitulado Atitudes vencedoras (cujo título invoca ícones best-sellers do "gênero" Auto-ajuda, mas cujos comentários acerca do conteúdo sugerem exatamente o contrário).
Leiam, pensem, comentem, critiquem, etecéterem!
(Pareci ou não um palestrante com esse discurso, hein?!)
O perigo da banalização
Carlos Hilsdorf

Toda época traz sempre, inevitavelmente, suas oportunidades e ameaças. Se observarmos com atenção a História da Humanidade, verificaremos que o declínio de quase todas as civilizações se deu frente a pouca atenção dedicada às ameaças mais evidentes!

Estranho observar que estas ameaças estão evidentes por um longo período de tempo antes que suas conseqüências cruciais ocorram e, no entanto, ninguém faz nada a respeito.

A atualidade também nos apresenta a sua lista de oportunidades e ameaças. Chama-me a atenção uma das que considero mais perigosa: a banalização.

Banalizar é tornar algo “estupidamente” comum e sem importância, vulgarizar. Fazer com que algo perca a importância é uma das estratégias mais eficazes para destruir, em definitivo, o poder de um fato, uma idéia.

Observe que com a revolução sexual não obtivemos apenas as vantagens de olharmos para o sexo de maneira mais humana e menos pecaminosa, mas também, como resíduo, obtivemos uma banalização do sexo. O sexo, nestas condições, perde suas dimensões mais humanas, onde o encontro dos corpos consuma o encontro das almas, para manifestar apenas sua conotação mais primitiva e nitidamente animal: a manifestação do instinto sem a participação da razão e do sentimento.

Esta banalização, para uma imensa maioria das pessoas, resultou num distanciamento entre sexo e prazer, uma vez que tudo aquilo que se torna banal perde intensidade.

E as banalizações seguem:

» A banalização da música trouxe à imensa maioria das rádios qualquer tipo de ruído ritmado como se fosse música e qualquer amontoado de palavras sem sentido como se fosse letra.
» A banalização da literatura faz com que os livros de auto-ajuda configurem a maioria absoluta da produção e consumo de livros na nossa cultura.
» A banalização da corrupção faz com que o slogan “rouba, mas faz” torne-se quase uma declaração de voto de uma imensa maioria de eleitores, como se tivéssemos que escolher entre um corrupto que apresenta resultados e outro, igualmente corrupto, mas apenas retórico.
» A banalização da amizade torna as pessoas cada vez mais “colegas” e menos amigas.
» A banalização do envolvimento afetivo faz com que os jovens prefiram “ficar”, fazendo múltiplos “test-drive” a cada final de semana para finalmente concluírem que não conhecem seus sentimentos.
» A banalização da utilização de ansiolíticos e anti-depressivos faz com que as pessoas acreditem que a pílula da felicidade existe...
» A banalização dos relacionamentos eterniza o resultado de um excesso de uísque que Vinícius de Moraes postulou “...que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure...” compreendido pelas pessoas como “seja lá o que Deus quiser...”
No mundo corporativo as coisas não são diferentes:

» A banalização da responsabilidade social faz hábeis marketeiros sociais desprovidos de responsabilidade.
» A banalização do empowerment faz com que se delegue poder independentemente se as pessoas estão ou não preparadas para lidar com ele.
» A banalização das vivências faz com que se acredite que se as pessoas riram muito, ou choraram muito, então valeu a pena...
» A banalização das palestras dá espaço aos que não tem absolutamente nada a dizer em detrimento de grandes seres humanos e profissionais que, muitas vezes, trabalhando dentro da própria organização, não são ouvidos com a atenção e consideração que lhes é devida.
» A banalização das pós-graduações e MBAs transformam uma importante etapa de reciclagem profissional em uma máquina caça-níquel e uma compra escancarada de “linhas a serem incluídas no currículo”, isso sem falar na esmagadora maioria das aulas que chegam, às vezes, a beirar o ridículo.
» A banalização das campanhas de incentivo, premia sempre as mesmas pessoas pelo mesmo padrão de desempenho, medindo volume ao invés de medir a contribuição efetiva que cada negócio proporcionou à organização, e a evolução efetiva das competências de cada profissional.

E assim, estamos diante de uma época onde a banalização da religião propõe benefícios materiais de curto prazo ao invés de evolução espiritual no longo prazo.

Onde os alunos nos cursos de graduação fingem que estudam enquanto alguns professores fingem que ensinam.

Onde individualmente não podemos fazer nada e quando nos reunimos nas associações, reuniões, cooperativas, congressos, etc, acabamos por declarar que nada pode ser feito...

Como citei no início do artigo, todas as civilizações são destruídas por suas ameaças mais evidentes, porque de tão evidentes tornam-se banais, misturam-se à paisagem, incorporam-se ao cotidiano e, a sociedade adia constantemente as ações conjuntas necessárias para mudar o estado das coisas.

As Tsunamis, furacões, maremotos, degelos de calota polares, poluição dos mares, efeito estufa, desmatamentos, atos terroristas, surgimento de novas ditaduras, e centenas de outros gravíssimos crimes contra a Humanidade estão tão banalizados que é comum ouvirmos as pessoas falarem sobre eles como se fossem as coisas mais normais e, é claro, terminando sempre com a frase: “Ainda bem que isso ainda não chegou por aqui...”

Ah ignorância e ingenuidade, até quando pagaremos o teu preço?

Até quando todos nós nos responsabilizarmos por não permitir que banalizem nossa existência com nosso total “descomprometimento”, concordância e apoio!

Que tal começar não permitindo que menosprezem nossa inteligência, sentimentos e valores?

Não precisamos mais de heróis, mas de pessoas comuns com a coragem necessária para dizer não e a atitude necessária para dar o exemplo!

(fonte: Comunidade RH)

Carlos Hilsdorf é colunista do Empregos.com.br, economista, Conferencista, consultor, Pós-Graduado em Marketing, pesquisador do Comportamento Humano e autor do livro Atitudes Vencedoras.

Já diziam os antigos...

"Fazei amigos sempre dispostos a censurar-vos!" Nicolas Boileau

sábado, 31 de dezembro de 2005

Introspectiva

Enfim, mais um ano se vai e um novo ano está engatilhado. Mais trabalho, mais diversão, mais ratos, mais um monte de coisas... Mais alegrias, mais tristezas, mais brigas, mais beijos; nada mais natural que um monte de imperfeições, que nada mais são que o reflexo de nossa humanidade (Ooooooooh... Filosofia de buteco é o que há!)
Nunca gostei de horóscopos, mapas astrais, essas coisas meio esotéricas. Sempre achei uma "viagem" meio tosca, uma dessas superstições bobas de jornaleco. Mas, como futuro psicólogo e como uma pessoa que se propõe ao esclarecimento, não tenho o direito de exercitar meus preconceitos.

Um belo dia - hoje, por acaso - estava eu navegando na Internet, na jandaga do Ministro Gil, quando me deparei com um anúncio de horóscopo, aquelas previsões de início de ano. Resolvi dar uma espiadinha. Creio que todos deveriam dar uma olhadinha nessas coisas; por via das dúvidas, não é verdade!? Li que o planeta regente do ano será Saturno, dito um destruidor de ilusões, arauto da realidade. Como bem ilustrou no site do iG Mônica Horta, ele "é mestre em fazer lindas carruagens voltarem a ser abóboras".

Particularmente, achei muito interessante. Tomara que dê certo.
Esoterices à parte...

Esse ano que se vai foi muito bom pra mim. Eu estou fazendo um curso legal numa universidade muito boa, conheci (como diz Carlão, o enorme professor de física do Anglo Itapira, entre outros) carinhas e gatinhas que são pessoas maravilhosas, diferentes e interessantes, amigos novos num lugar novo, estou 100% de alta agora!! Tive meus baixos: gripão no primeiro dia de aula, apendicite no meio do segundo semestre e alguns pormenores que incomodaram mas não atrapalharam de verdade este ano incrível!
E o ano que está batendo à porta, que nem o frio das Pernambucanas, e que será muito bem-vindo, também traz a Bixarada, veteranaiadas, estágio, layout novo...
E eu gostaria de satistazer uma pequena frescura de minha parte, mas que eu acho que fecha bem esse ano e essa postagem festiva de volta à normalidade - de apendicite eu não morro mais!!! - e ida rumo a 2006.

Aquela velha coisa dos pontos de vista... Sabe, não é que exista um ângulo certo ou perfeito para certas coisas, mas há sempre uma maneira mais interessante e construtiva, e talvez até mais realista, de se olhar os mesmos acontecimentos, os mesmos fatos. Vejam bem: não estou teorizando ou generalizando, é apenas o meu humilde ponto de vista, que talvez não seja o mais apropriado. Talvez esse encerramento esteja, na verdade, desviando o caminho de todo o texto acima.

Bem, tentarei ilustrar no universo musical esse fechamento (talvez desastroso). Esses dias eu ouvi uma música chamada "Fico assim sem você", composta por Cacá Moraes a Abdullah, que conta com versões Claudinho e Buchecha e Adriana "Partimpim" Calcanhoto. Gostaria que cada um que lesse essa postagem (a última do ano) ouvisse as respectivas versões (emprestadas da Rádio Uol), clicando nos respectivos links (abra em uma nova janela este link e escolha a versão), e comentasse sobre qual a versão, a seu ver, mais adequada à canção, qual a melhor roupagem. Veja bem que a música em si não muda, apenas o jeito de olhar muda (conteúdo e forma, velhas balelas de psicólogos...).
É isso aí, pessoal! Termina mais um translado terestre e, debaixo deste sol radiante e cancerígeno, desejo a todos um feliz clichê de ano novo, muito branco e champagne e até 2006!

domingo, 27 de novembro de 2005

Diários de Ambulância IV

Snif, snif... Nenhum comentário na última postagem...
Oh, céus... Oh, vida...
Bom, o mundo ainda não acabou! E eu ainda tenho que terminar o meu rato!
Mas eu volto agora a postar PSICOLOGIA nesse blogaço; uma pesquisa sobre sonhos lúcidos (nunca tive), pesadelos (alguns, mas o melhor foi aquele que eu tava caindo do penhasco) e Gestalt (aê!).
Comentem (é sério!)...
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Áustria apresenta método que acaba com pesadelos

Cristina Casals, da Efe

Viena - As pessoas que sofrem de pesadelos rotineiros têm agora a possibilidade de submeter-se a um tratamento psicoterapêutico para chegar a uma solução feliz para esse mal, que muitas vezes acaba deteriorando a qualidade de vida. A afirmação foi feita pelos autores de um estudo realizado no Instituto de Pesquisa da Consciência e do Sonho do Hospital Geral de Viena.

Através da nova técnica, o sonhador, devidamente treinado e com o apoio de um psicólogo, recobra consciência de sua liberdade de intervir no sonho e chega até mesmo a controlar seu pesadelo, alterando-o à sua vontade.

Através do treinamento mental, a pessoa pode mudar, por exemplo, uma situação em que ele cai num abismo sem fim durante um pesadelo para começar a voar.

O estudo foi apresentado na programação que antecede o Ano Freudiano, em 2006, para comemorar o 150.º aniversário de nascimento do "pai da psicanálise", Sigmund Freud.

As pesquisas são baseadas em conhecimentos que remetem inclusive à época de Freud e a especialistas que estiveram em contato com ele, como o holandês Frederik Willems Van Eeden, que inventou o conceito de sonho lúcido.

Mas os estudiosos também recorrem à análise do sonho, como afirmou William Dement, um dos descobridores das fases do sono definida como REM (de movimentos rápidos dos olhos). Esta é a fase de sono mais profunda, especialmente importante para a memória e para os sonhos.

: :Sonho lúcido
O sonho lúcido foi definido por Paul Tholey, especialista alemão em Ppsicologia da Gestalt, como um sonho em estado de consciência clara. O indivíduo sabe que está sonhando e tem a convicção de que é possível mudar o curso do que se vive neste estado.

Trata-se de uma técnica que pode ser aprendida, como se comprovou através da observação de 32 pessoas que se submeteram a um tratamento de Gestalt durante seis meses. Parte do grupo participou ainda do treinamento para ter sonhos lúcidos - o que acabou tornando-se a maneira mais eficiente de combater pesadelos.

Mais da metade destas pessoas conseguiram aprender o método, que envolve a anotação de tudo o que se lembra dos sonhos em um diário. A aprendizagem começa quando o paciente conhece o fenômeno do sonho lúcido e prepara o terreno para o sonhador, sabendo que os sonhos dependem também de nossas expectativas.

A maioria dos pacientes apresentou uma melhora considerável na qualidade subjetiva de seus sonhos. Três pessoas inclusive disseram que, ao final do tratamento, nunca mais sofreram de pesadelos crônicos.

As melhoras puderam ser comprovadas através da medição da atividade física durante a noite, feita por um dispositivo do tamanho de um relógio que os candidatos usaram 24 horas por dia, e registrava a atividade cerebral no eletroencefalograma, segundo afirmou o especialista em medicina do sono Bernd Saletu.

: :Euforia e liberdade
A diretora do estudo, Brigitte Holzinger, discípula dos pioneiros Paul Tholey e Stephen LaBerge da Universidade de Stanford, observou que o método do sonho lúcido não apenas acaba com os pesadelos recorrentes mas, em alguns casos, chega a provocar uma sensação de euforia e liberdade jamais experimentadas.

Segundo ela, alguns artistas procuram o tratamento, pois a experiência onírica controlada vem se mostrando muito favorável para sua criatividade.

Para ajudar, os candidatos usam também um método de representação de situações angustiantes vividas durante o sonho em grupos terapêuticos, ou até mesmo em sessões particulares com o terapeuta.

A chefe do estudo mencionou diversos casos concretos nos quais as pessoas em questão conseguiram se livrar de pesadelos que as perseguiam rotineiramente.

Uma mulher, por exemplo, ficou traumatizada desde que, ainda durante sua juventude, acordou à noite vendo um ladrão ao lado de sua cama. A lembrança lhe causava pesadelos angustiantes, até que conseguiu tomar consciência de que havia ajudado sua família, pois conseguiu escapar para outro quarto e chamar a polícia.

Desta maneira, ela pôde solucionar positivamente os sonhos que a incomodavam.

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Já diziam os antigos...

"A loucura é o sonho de uma única pessoa. A razão, é sem dúvida, a loucura de todos." André Suarés

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

Ambulance Diaries III

Esse artigo não tem nada a ver com psicologia (talvez seja um estudo de caso sobre fanatismo, ceticismo, psicopatologia teológica...), lamentavelmente está em inglês, mas é um exemplar exuberante da atual força que tem o movimento criacionista e suas ramificações "científicas" (essa é minha humilde opinião; posso estar falando um monte de porcaria). Eu achei interessante postar ele, e acho igualmente interessante o periódico no qual saiu: TheOnion.com (não preciso escrever o endereço, né?).
Enjoy!
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Evangelical Scientists Refute Gravity With New 'Intelligent Falling' Theory

KANSAS CITY, KS—As the debate over the teaching of evolution in public schools continues, a new controversy over the science curriculum arose Monday in this embattled Midwestern state. Scientists from the Evangelical Center For Faith-Based Reasoning are now asserting that the long-held "theory of gravity" is flawed, and they have responded to it with a new theory of Intelligent Falling.

"Things fall not because they are acted upon by some gravitational force, but because a higher intelligence, 'God' if you will, is pushing them down," said Gabriel Burdett, who holds degrees in education, applied Scripture, and physics from Oral Roberts University.
Burdett added: "Gravity—which is taught to our children as a law—is founded on great gaps in understanding. The laws predict the mutual force between all bodies of mass, but they cannot explain that force. Isaac Newton himself said, 'I suspect that my theories may all depend upon a force for which philosophers have searched all of nature in vain.' Of course, he is alluding to a higher power."
Founded in 1987, the ECFR is the world's leading institution of evangelical physics, a branch of physics based on literal interpretation of the Bible.
According to the ECFR paper published simultaneously this week in the International Journal Of Science and the adolescent magazine God's Word For Teens!, there are many phenomena that cannot be explained by secular gravity alone, including such mysteries as how angels fly, how Jesus ascended into Heaven, and how Satan fell when cast out of Paradise.
The ECFR, in conjunction with the Christian Coalition and other Christian conservative action groups, is calling for public-school curriculums to give equal time to the Intelligent Falling theory. They insist they are not asking that the theory of gravity be banned from schools, but only that students be offered both sides of the issue "so they can make an informed decision."
"We just want the best possible education for Kansas' kids," Burdett said.
Proponents of Intelligent Falling assert that the different theories used by secular physicists to explain gravity are not internally consistent. Even critics of Intelligent Falling admit that Einstein's ideas about gravity are mathematically irreconcilable with quantum mechanics. This fact, Intelligent Falling proponents say, proves that gravity is a theory in crisis.
"Let's take a look at the evidence," said ECFR senior fellow Gregory Lunsden."In Matthew 15:14, Jesus says, 'And if the blind lead the blind, both shall fall into the ditch.' He says nothing about some gravity making them fall—just that they will fall. Then, in Job 5:7, we read, 'But mankind is born to trouble, as surely as sparks fly upwards.' If gravity is pulling everything down, why do the sparks fly upwards with great surety? This clearly indicates that a conscious intelligence governs all falling."
Critics of Intelligent Falling point out that gravity is a provable law based on empirical observations of natural phenomena. Evangelical physicists, however, insist that there is no conflict between Newton's mathematics and Holy Scripture.
"Closed-minded gravitists cannot find a way to make Einstein's general relativity match up with the subatomic quantum world," said Dr. Ellen Carson, a leading Intelligent Falling expert known for her work with the Kansan Youth Ministry. "They've been trying to do it for the better part of a century now, and despite all their empirical observation and carefully compiled data, they still don't know how."
"Traditional scientists admit that they cannot explain how gravitation is supposed to work," Carson said. "What the gravity-agenda scientists need to realize is that 'gravity waves' and 'gravitons' are just secular words for 'God can do whatever He wants.'"
Some evangelical physicists propose that Intelligent Falling provides an elegant solution to the central problem of modern physics.
"Anti-falling physicists have been theorizing for decades about the 'electromagnetic force,' the 'weak nuclear force,' the 'strong nuclear force,' and so-called 'force of gravity,'" Burdett said. "And they tilt their findings toward trying to unite them into one force. But readers of the Bible have already known for millennia what this one, unified force is: His name is Jesus."

domingo, 23 de outubro de 2005

Diários de Ambulância II

estou eu novamente, convalescente e preguiçoso porém empenhado, postando no meu querido Blog (isso mesmo, com "B" maiúsculo). Hoje postarei um texto idiota, porém intrigante...
Façam o que bem entenderem: comentem, xinguem, etc. etc. etc.
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Prova de física

por Seilah Kem

Pergunta feita pelo Prof . Fernando da FATEC em sua prova final do curso em maio de 1997. Este doutor é reconhecido por fazer perguntas do tipo "Por que os aviões voam?" em suas provas finais.

Sua única questão na prova final de maio de 1997 para sua turma foi: "O inferno é exotérmico ou endotérmico? Justifique sua resposta."

Vários alunos justificaram suas opiniões baseados na Lei de Boyle ou em alguma variante da mesma.

Um aluno, entretanto, escreveu o seguinte:

"Primeiramente, postulamos que se almas existem, então elas devem ter alguma massa. Se elas tem, então um conjunto de almas também tem massa. Então, a que taxa as almas estão se movendo para fora e a que taxa elas estão se movendo para dentro do inferno? Podemos assumir seguramente que uma vez que uma alma entra no inferno ela nunca mais sai. Por isso não há almas saindo. Para as almas que entram no inferno, vamos dar uma olhada nas diferentes religiões que existem no mundo hoje em dia: algumas dessas religiões pregam que se você não pertencer a ela, você vai para o inferno... Como há mais de uma religião desse tipo e as pessoas não possuem duas religiões, podemos projetar que todas as almas vão para o inferno. Com as taxas de natalidade e mortalidade do jeito que estão, podemos esperar um crescimento exponencial das almas no inferno. Agora vamos olhar a taxa de mudança de volume no inferno. A Lei de Boyle diz que para a temperatura e a pressão no inferno serem as mesmas, a relação entre a massa das almas e o volume do inferno deve ser constante.

Existem então duas opções:

1) Se o inferno se expandir numa taxa menor do que a taxa com que as almas entram, então a temperatura e a pressão no inferno vão aumentar até ele explodir, portanto EXOTÉRMICO.

2) Se o inferno estiver se expandindo numa taxa maior do que a entrada de almas, então a temperatura e a pressão irão baixar até que o inferno se congele, portanto ENDOTÉRMICO.

Se nós aceitarmos o que a menina mais gostosa da FATEC me disse, no primeiro ano: "só irei pra cama com você no dia que o inferno congelar", e levando-se em conta que ainda não obtive sucesso na tentativa de ter relações sexuais com ela, então a opção 2 não é verdadeira. Por isso, o inferno é exotérmico."

O aluno Sérgio Fonseca tirou o único 10 na turma.

MORAL DA HISTÓRIA: "A mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao seu tamanho original." (Albert Einstein).
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Seilah Kem é um árabe muito misterioso...

sexta-feira, 14 de outubro de 2005

Diários de Ambulância

NO APÊNDICE :: NO MAMATA :: YES LIÇÃO DE CASA
Trocadilhos à parte, estarei usando esse título para as postagens enquanto não se completarem os 70 dias da minha plena recuperação, em 2 de dezembro. Também não há previsão de regularização do fluxo de postagens, devido minha condição geral. E também não havérá postagem hoje. Motivo? Sem peciência pra ficar achando as coisinhas pra por aqui. Estou aberto a sugestões; se alguém quiser ver um texto de sua autoria afixado neste sacrossanto já beatificado (redundante não, enfático!) espaço, pode ficar à vontade: diminui meu trabalho e aumenta seu prestígio (hehehe...).
Depois de ter visto minha viola em cacos, quero ver as suas enluaradas (parafraseando Däh Cunha, R. E.T.C.: "Pegou? Pegou?")!

terça-feira, 13 de setembro de 2005

Opinião

Vocês podem até estranhar tão diminuta postagem, mas é de interesse vital para esse blog. Sem brincadeiras, gostaria de saber de quem quer que seja (os amigos, o padeiro, o Barba) o que está achando de toda essa mistura de temas, e disso em relação à proposta inicial do blog (vejam as primeiras postagens). Eu quero toda a sinceridade possível: está gostando ou não, é um lixo ou é bom, o modelo é legal, aborda temas interessantes, etc., ou seja, tudo que englobe o blog num panorama geral.
Mesmo que nada mude, ninguém mais visite e eu fique um Dom Quixote doidão postando pros moinhos de vento, é importante pra mim, Lucas, que eu saiba como vocês vêem esse blog.
Obrigado, e cooperem, por favor.

domingo, 4 de setembro de 2005

Esquenta o mármore!!!

Depois de entupirem a caixa de e-mails com milhares de milhares de milhares de pedidos, e nos mandarem centenas de dezenas de unidades de cartas, o blog será atualizado.
Fiquem tranqüilos, fãs! Não entraremos em greve!
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:: Psicologia

Sociedade em Miniatura

Filas longas cansam mas têm sua utilidade: podem até ser palco para estudos de comportamento.

Por Juliana Tiraboschi (
jtiraboschi@edglobo.com.br)

Quem nunca se irritou ao esperar sua vez em uma fila demorada que atire a primeira pedra. Aparentemente um acontecimento tão banal do dia-a-dia de qualquer pessoa, as filas podem ser usadas como objeto de estudo para ajudar a entender diversos aspectos do funcionamento da sociedade, como valores e questões como agressividade e noções de justiça. É o que vem fazendo há mais de dois anos o psicólogo Fábio Iglesias, pesquisador da Universidade de Brasília.

Diversos estudos foram realizados em Brasília pelo psicólogo para identificar a percepção dos entrevistados em relação à sua posição nas filas, ao tempo de espera, e o que as pessoas pensam de quem fura a fila. Os resultados são curiosos. A maioria das pessoas que estão nas primeiras posições da fila exagera na quantidade de pessoas à sua frente. Uma pessoa que está em 20º lugar, por exemplo, pode achar que tem 50 na sua frente. “Isso pode ser um mecanismo psicológico para justificar uma demora no atendimento”, explica Iglesias. Já os que estão mais atrás costumam pensar que há menos gente na sua frente do que na realidade. Mais uma vez seria um mecanismo de compensação, uma forma de reduzir a ansiedade. “Outra descoberta foi que, independente da posição em que está na fila, todo mundo exagera na hora de responder qual foi o tempo de espera”, revela Iglesias. Alguns chegam a relatar uma espera de 5 minutos como se fosse de 20. Isso porque como a espera é sempre desagradável, as pessoas tendem a ser pessimistas. As pessoas acreditam que a fila é perda de tempo, monótona, e o exagero é uma forma de expressar o desconforto.

::Sem protestos
A terceira principal constatação é que pouquíssimas pessoas intervêm quando alguém fura a fila. Em um de seus estudos, Iglesias reuniu alguns alunos para bancarem o papel de “fura-filas”, e filmou a reação das pessoas. O resultado: 63% simplesmente não reagiram, 25% tiveram uma reação indireta, ou seja, olharam feio para o transgressor ou fizeram algum comentário com o vizinho de fila, e apenas 12% reagiram diretamente, falando com o furão e apontando onde era o início da fila. Iglesias acredita que esse tipo de comportamento seja um reflexo de uma cultura coletivista: “a pessoa pensa que, se ninguém mais está reclamando, ela também não deve dizer nada, ficam constrangidas em protestar”, conta. (Ver, a propósito, “Magnetismo da imitação” da edição 168) Além disso, muita gente alega fazer vista grossa para um furão porque de vez em quando também age da mesma forma. O pesquisador acredita que as filas podem ser laboratórios naturais, partindo da premissa de que são organizações sociais dotadas de normas, papéis e valores diferenciados. Ele também defende a padronização de situações de estudo para que os resultados possam ser comparados com outras cidades e até com outros países. Pense nisso quando tiver que enfrentar uma fila quilométrica.

::Unidos até nas filas
O psicólogo Fábio Iglesias propõe que o estudo das filas possa ser usado como instrumento prático para analisar valores culturais em um eixo que vai do individualismo ao coletivismo. Se alguém perguntar a um americano quem ele é, provavelmente irá contar seu nome, profissão e gostos pessoais. “Se fizer a mesma pergunta a um brasileiro, há mais chances de que ele diga a qual família pertence, de qual religião é adepto ou para qual time de futebol torce”, diz Iglesias. Ou seja, o brasileiro costuma identificar-se mais com grupos. Em uma cultura mais individualista, como a americana, as pessoas tendem a ser mais autônomas, e espera-se que reclamem mais quando alguém fura fila porque o outro está invadindo seu espaço. Já no Brasil os indivíduos precisam mais do grupo para guiar suas atitudes. Quando vêem um “furão”, provavelmente vão reparar nas atitudes dos companheiros antes de dizer qualquer coisa.
FONTE: Revista Galileu (antiga Globo Ciência), de agosto de 2005.
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Já diziam os antigos...
"A ingenuidade é uma força que os astutos fazem mal em desprezar." Arturo Graf

domingo, 14 de agosto de 2005

Sem sobressalto.

Só pra variar, estou botando algo novo de novo nessa espelunca. Por seu tamanho e profundidade, só postarei um conto ou crônica (ou o que quer que seja) do Mário de Andrade, que não trata do Dia dos Pais. Aliás, logo se perceberá que não poderia, do modo algum, tratar do Dia dos Pais. E o tom lírico-amoroso desse festivo dia dará lugar a uma sinceridade e hombridade incomuns..
O ibope aqui tá bom, continuem comentando!
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O Peru de Natal

por Mário de Andrade

O nosso primeiro Natal de família, depois da morte de meu pai acontecida cinco meses antes, foi de conseqüências decisivas para a felicidade familiar. Nós sempre fôramos familiarmente felizes, nesse sentido muito abstrato da felicidade: gente honesta, sem crimes, lar sem brigas internas nem graves dificuldades econômicas. Mas, devido principalmente à natureza cinzenta de meu pai, ser desprovido de qualquer lirismo, de uma exemplaridade incapaz, acolchoado no medíocre, sempre nos faltara aquele aproveitamento da vida, aquele gosto pelas felicidades materiais, um vinho bom, uma estação de águas, aquisição de geladeira, coisas assim. Meu pai fora de um bom errado, quase dramático, o puro-sangue dos desmancha-prazeres.

Morreu meu pai, sentimos muito, etc. Quando chegamos nas proximidades do Natal, eu já estava que não podia mais pra afastar aquela memória obstruente do morto, que parecia ter sistematizado pra sempre a obrigação de uma lembrança dolorosa em cada almoço, em cada gesto mínimo da família. Uma vez que eu sugerira à mamãe a idéia dela ir ver uma fita no cinema, o que resultou foram lágrimas. Onde se viu ir ao cinema, de luto pesado! A dor já estava sendo cultivada pelas aparências, e eu, que sempre gostara apenas regularmente de meu pai, mais por instinto de filho que por espontaneidade de amor, me via a ponto de aborrecer o bom do morto.

Foi decerto por isto que me nasceu, esta sim, espontaneamente, a idéia de fazer uma das minhas chamadas "loucuras". Essa fora aliás, e desde muito cedo, a minha esplêndida conquista contra o ambiente familiar. Desde cedinho, desde os tempos de ginásio, em que arranjava regularmente uma reprovação todos os anos; desde o beijo às escondidas, numa prima, aos dez anos, descoberto por Tia Velha, uma detestável de tia; e principalmente desde as lições que dei ou recebi, não sei, de uma criada de parentes: eu consegui no reformatório do lar e na vasta parentagem, a fama conciliatória de "louco". "É doido, coitado!" falavam. Meus pais falavam com certa tristeza condescendente, o resto da parentagem buscando exemplo para os filhos e provavelmente com aquele prazer dos que se convencem de alguma superioridade. Não tinham doidos entre os filhos. Pois foi o que me salvou, essa fama. Fiz tudo o que a vida me apresentou e o meu ser exigia para se realizar com integridade. E me deixaram fazer tudo, porque eu era doido, coitado. Resultou disso uma existência sem complexos, de que não posso me queixar um nada.

Era costume sempre, na família, a ceia de Natal. Ceia reles, já se imagina: ceia tipo meu pai, castanhas, figos, passas, depois da Missa do Galo. Empanturrados de amêndoas e nozes (quanto discutimos os três manos por causa dos quebra-nozes...), empanturrados de castanhas e monotonias, a gente se abraçava e ia pra cama. Foi lembrando isso que arrebentei com uma das minhas "loucuras":

— Bom, no Natal, quero comer peru.

Houve um desses espantos que ninguém não imagina. Logo minha tia solteirona e santa, que morava conosco, advertiu que não podíamos convidar ninguém por causa do luto.

— Mas quem falou de convidar ninguém! essa mania... Quando é que a gente já comeu peru em nossa vida! Peru aqui em casa é prato de festa, vem toda essa parentada do diabo...

— Meu filho, não fale assim...

— Pois falo, pronto!

E descarreguei minha gelada indiferença pela nossa parentagem infinita, diz-que vinda de bandeirantes, que bem me importa! Era mesmo o momento pra desenvolver minha teoria de doido, coitado, não perdi a ocasião. Me deu de sopetão uma ternura imensa por mamãe e titia, minhas duas mães, três com minha irmã, as três mães que sempre me divinizaram a vida. Era sempre aquilo: vinha aniversário de alguém e só então faziam peru naquela casa. Peru era prato de festa: uma imundície de parentes já preparados pela tradição, invadiam a casa por causa do peru, das empadinhas e dos doces. Minhas três mães, três dias antes já não sabiam da vida senão trabalhar, trabalhar no preparo de doces e frios finíssimos de bem feitos, a parentagem devorava tudo e ainda levava embrulhinhos pros que não tinham podido vir. As minhas três mães mal podiam de exaustas. Do peru, só no enterro dos ossos, no dia seguinte, é que mamãe com titia ainda provavam num naco de perna, vago, escuro, perdido no arroz alvo. E isso mesmo era mamãe quem servia, catava tudo pro velho e pros filhos. Na verdade ninguém sabia de fato o que era peru em nossa casa, peru resto de festa.

Não, não se convidava ninguém, era um peru pra nós, cinco pessoas. E havia de ser com duas farofas, a gorda com os miúdos, e a seca, douradinha, com bastante manteiga. Queria o papo recheado só com a farofa gorda, em que havíamos de ajuntar ameixa preta, nozes e um cálice de xerez, como aprendera na casa da Rose, muito minha companheira. Está claro que omiti onde aprendera a receita, mas todos desconfiaram. E ficaram logo naquele ar de incenso assoprado, se não seria tentação do Dianho aproveitar receita tão gostosa. E cerveja bem gelada, eu garantia quase gritando. É certo que com meus "gostos", já bastante afinados fora do lar, pensei primeiro num vinho bom, completamente francês. Mas a ternura por mamãe venceu o doido, mamãe adorava cerveja.

Quando acabei meus projetos, notei bem, todos estavam felicíssimos, num desejo danado de fazer aquela loucura em que eu estourara. Bem que sabiam, era loucura sim, mas todos se faziam imaginar que eu sozinho é que estava desejando muito aquilo e havia jeito fácil de empurrarem pra cima de mim a... culpa de seus desejos enormes. Sorriam se entreolhando, tímidos como pombas desgarradas, até que minha irmã resolveu o consentimento geral:

— É louco mesmo!...

Comprou-se o peru, fez-se o peru, etc. E depois de uma Missa do Galo bem mal rezada, se deu o nosso mais maravilhoso Natal. Fora engraçado:assim que me lembrara de que finalmente ia fazer mamãe comer peru, não fizera outra coisa aqueles dias que pensar nela, sentir ternura por ela, amar minha velhinha adorada. E meus manos também, estavam no mesmo ritmo violento de amor, todos dominados pela felicidade nova que o peru vinha imprimindo na família. De modo que, ainda disfarçando as coisas, deixei muito sossegado que mamãe cortasse todo o peito do peru. Um momento aliás, ela parou, feito fatias um dos lados do peito da ave, não resistindo àquelas leis de economia que sempre a tinham entorpecido numa quase pobreza sem razão.

— Não senhora, corte inteiro! Só eu como tudo isso!

Era mentira. O amor familiar estava por tal forma incandescente em mim, que até era capaz de comer pouco, só-pra que os outros quatro comessem demais. E o diapasão dos outros era o mesmo. Aquele peru comido a sós, redescobria em cada um o que a quotidianidade abafara por completo, amor, paixão de mãe, paixão de filhos. Deus me perdoe mas estou pensando em Jesus... Naquela casa de burgueses bem modestos, estava se realizando um milagre digno do Natal de um Deus. O peito do peru ficou inteiramente reduzido a fatias amplas.

— Eu que sirvo!

"É louco, mesmo" pois por que havia de servir, se sempre mamãe servira naquela casa! Entre risos, os grandes pratos cheios foram passados pra mim e principiei uma distribuição heróica, enquanto mandava meu mano servir a cerveja. Tomei conta logo de um pedaço admirável da "casca", cheio de gordura e pus no prato. E depois vastas fatias brancas. A voz severizada de mamãe cortou o espaço angustiado com que todos aspiravam pela sua parte no peru:

— Se lembre de seus manos, Juca!

Quando que ela havia de imaginar, a pobre! que aquele era o prato dela, da Mãe, da minha amiga maltratada, que sabia da Rose, que sabia meus crimes, a que eu só lembrava de comunicar o que fazia sofrer! O prato ficou sublime.

— Mamãe, este é o da senhora! Não! não passe não!

Foi quando ela não pode mais com tanta comoção e principiou chorando. Minha tia também, logo percebendo que o novo prato sublime seria o dela, entrou no refrão das lágrimas. E minha irmã, que jamais viu lágrima sem abrir a torneirinha também, se esparramou no choro. Então principiei dizendo muitos desaforos pra não chorar também, tinha dezenove anos... Diabo de família besta que via peru e chorava! coisas assim. Todos se esforçavam por sorrir, mas agora é que a alegria se tornara impossível. É que o pranto evocara por associação a imagem indesejável de meu pai morto. Meu pai, com sua figura cinzenta, vinha pra sempre estragar nosso Natal, fiquei danado.

Bom, principiou-se a comer em silêncio, lutuosos, e o peru estava perfeito. A carne mansa, de um tecido muito tênue boiava fagueira entre os sabores das farofas e do presunto, de vez em quando ferida, inquietada e redesejada, pela intervenção mais violenta da ameixa preta e o estorvo petulante dos pedacinhos de noz. Mas papai sentado ali, gigantesco, incompleto, uma censura, uma chaga, uma incapacidade. E o peru, estava tão gostoso, mamãe por fim sabendo que peru era manjar mesmo digno do Jesusinho nascido.

Principiou uma luta baixa entre o peru e o vulto de papai. Imaginei que gabar o peru era fortalecê-lo na luta, e, está claro, eu tomara decididamente o partido do peru. Mas os defuntos têm meios visguentos, muito hipócritas de vencer: nem bem gabei o peru que a imagem de papai cresceu vitoriosa, insuportavelmente obstruidora.

— Só falta seu pai...

Eu nem comia, nem podia mais gostar daquele peru perfeito, tanto que me interessava aquela luta entre os dois mortos. Cheguei a odiar papai. E nem sei que inspiração genial, de repente me tornou hipócrita e político. Naquele instante que hoje me parece decisivo da nossa família, tomei aparentemente o partido de meu pai. Fingi, triste:

— É mesmo... Mas papai, que queria tanto bem a gente, que morreu de tanto trabalhar pra nós, papai lá no céu há de estar contente... (hesitei, mas resolvi não mencionar mais o peru) contente de ver nós todos reunidos em família.

E todos principiaram muito calmos, falando de papai. A imagem dele foi diminuindo, diminuindo e virou uma estrelinha brilhante do céu. Agora todos comiam o peru com sensualidade, porque papai fora muito bom, sempre se sacrificara tanto por nós, fora um santo que "vocês, meus filhos, nunca poderão pagar o que devem a seu pai", um santo. Papai virara santo, uma contemplação agradável, uma inestorvável estrelinha do céu. Não prejudicava mais ninguém, puro objeto de contemplação suave. O único morto ali era o peru, dominador, completamente vitorioso.

Minha mãe, minha tia, nós, todos alagados de felicidade. Ia escrever «felicidade gustativa», mas não era só isso não. Era uma felicidade maiúscula, um amor de todos, um esquecimento de outros parentescos distraidores do grande amor familiar. E foi, sei que foi aquele primeiro peru comido no recesso da família, o início de um amor novo, reacomodado, mais completo, mais rico e inventivo, mais complacente e cuidadoso de si. Nasceu de então uma felicidade familiar pra nós que, não sou exclusivista, alguns a terão assim grande, porém mais intensa que a nossa me é impossível conceber.

Mamãe comeu tanto peru que um momento imaginei, aquilo podia lhe fazer mal. Mas logo pensei: ah, que faça! mesmo que ela morra, mas pelo menos que uma vez na vida coma peru de verdade!

A tamanha falta de egoísmo me transportara o nosso infinito amor... Depois vieram umas uvas leves e uns doces, que lá na minha terra levam o nome de "bem-casados". Mas nem mesmo este nome perigoso se associou à lembrança de meu pai, que o peru já convertera em dignidade, em coisa certa, em culto puro de contemplação.

Levantamos. Eram quase duas horas, todos alegres, bambeados por duas garrafas de cerveja. Todos iam deitar, dormir ou mexer na cama, pouco importa, porque é bom uma insônia feliz. O diabo é que a Rose, católica antes de ser Rose, prometera me esperar com uma champanha. Pra poder sair, menti, falei que ia a uma festa de amigo, beijei mamãe e pisquei pra ela, modo de contar onde é que ia e fazê-la sofrer seu bocado. As outras duas mulheres beijei sem piscar. E agora, Rose!...
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Mário de Andrade (1893-1945), nasceu em São Paulo, mostrando desde cedo inclinação pela música e literatura. Seu interesse pelas artes levou-o a realizar em São Paulo, de parceria com Oswald de Andrade, a Semana de Arte Moderna, que rasgou novas perspectivas para a cultura brasileira. Sua obra, essencialmente brasileira, reflete um nacionalismo humanista, que nada tem de místico e abstrato. Macunaíma, baseada em temas folclóricos é, geralmente, considerada a sua obra-prima.
FONTE: http://www.releituras.com/marioandrade_natal.asp

sábado, 6 de agosto de 2005

Ai, ai, ai, ai... Tá chegando a hora...

Sabadão, meu último dia de férias, de Itapira full-time... Mas começa uma nova etapa rumo a algo que não sei direito o que será, mas que sei que será!
E voltando às origens, vou postar um artigo interessantíssimo sobre as inspirações noturnas e uma citação que deve ter algo a ver com o artigo... E não terá nenhum texto meu por um bom tempo, o que não é nada extremamente lastimável...
Chega de reticências! Vamos às exclamações!
Comentem!
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INTUIÇÕES NOTURNAS

Muitos cientistas, artistas e escritores consideram os períodos de sono como as horas de criatividade mais intensa. Nessas ocasiões, os nexos lógicos habituais são suspensos e “sonhamos de olhos abertos”.

Por Edoardo Altomare (tradução de Alexandre Massella)

Na última noite de 1997, Roderick MacKinnon, jovem pesquisador da Universidade Rockefeller de Nova York, trabalhava na definição do sistema molecular cujo funcionamento está na base da abertura e do fechamento de alguns canais celulares – os chamados canais iônicos, que servem para a passagem de íons de sódio através das membranas das células. A existência desses canais já era conhecida, mas ninguém conseguira, até então, distinguir sua estrutura e seu funcionamento, em virtude da dificuldade de “ver” a passagem dos íons por meio de imagens de alta resolução. O pesquisador compreendeu que o objetivo só poderia ser alcançado pelo uso da cristalografia de raios X: naquela noite refletia sobre essa questão, quando lhe ocorreu uma idéia inesperada. “Meus momentos mais produtivos são aqueles em que não consigo dormir”, revelou MacKinnon ao receber, graças àquela descoberta, o Prêmio Nobel de Química de 2003, junto com Peter Agre.

MacKinnon descreve assim a noite da descoberta: “De repente, uma imagem manifestou-se com clareza diante de meus olhos e vi, com todos os detalhes, a passagem dos íons através dos canais celulares”. Enquanto outros brindavam a chegada do novo ano, o cientista caminhava excitado em seu laboratório. Na manhã seguinte, após um sono breve e agitado, MacKinnon acordou com medo de que tudo não passasse de um sonho: “Corri para o laboratório, liguei o computador e averigüei a intuição: os íons estavam lá, atravessando os canais”. Foi assim que o jovem MacKinnon – hoje com quase 50 anos – assombrou a comunidade científica ao apresentar, em abril de 1998, a estrutura e o funcionamento do canal iônico.

A noite é o momento mágico da criatividade também para Alexei Abrikosov, Prêmio Nobel de Física de 2003: “Durante o dia penso nas fórmulas e faço os cálculos – declarou em Estocolmo, ecoando o colega MacKinnon –, mas os melhores momentos de minha atividade científica são à noite”. Há também vários insones produtivos entre poetas, artistas e escritores. Para ficarmos no âmbito científico: atribui-se a Einstein a afirmação de que os cientistas criativos são os únicos que tem acesso aos próprios sonhos. O caso do químico alemão August Kekulé é exemplar a esse respeito: ele “viu”em sonho, na imagem de uma serpente que mordia a própria cauda, a estrutura química em anel do benzeno. Podemos citar também o caso do matemático inglês Alan Turing, que parece ter intuído a máquina universal enquanto estava deitado em um gramado, num estado entre a vigília e o sono: uma espécie de sonolência desperta, lúcida e criativa, durante a qual afloram às vezes, em particular nas mentes bem preparadas, as soluções para problemas difíceis.

O significado do comentário de Einstein era talvez mais geral. Para alguns, o grande físico estaria se referindo ao fato de que a mente pode funcionar tanto por intuição como pelos ditames do bom senso e que, para descobrir algo novo, o cientista – como qualquer outra pessoa – deve escapar ao domínio imposto à “imaginação” por nossas faculdades lógicas, subvertendo o saber convencional do qual dependem as habilidades cotidianas. “Segundo a teoria freudiana”, observa Orlando Todarello, professor de psicoterapia da Universidade de Bari, “o sonho é uma atividade pouco organizada de pensamento que foge (embora não totalmente) ao controle da racionalidade e da censura”.

:: Caprichos da imaginação
“Na minha experiência”, comenta o químico americano Royston Roberts, autor de um livro sobre descobertas acidentais, “a imaginação e a memória estão mais ativas durante o sonho ou a sonolência. Raramente tive uma idéia quando estava sentado em minha sala na Universidade do Texas”. Roberts acrescenta que é mais provável que as melhores idéias sejam elaboradas nas primeiras horas da manhã, em um avião, durante um passeio ou num concerto. Charles Townes, Prêmio Nobel de Física de 1964, estava admirando flores no parque de Washington quando, de súbito, compreendeu o procedimento relativo ao laser. E Kary Mullin, Prêmio Nobel de Química de 1993, dirigia despreocupado seu carro quando teve a intuição que o levou à descoberta da Pcr, a reação em cadeia da polimerase que permite a ampliação e a identificação de fragmentos mínimos de DNA.

Para Todarello, “trata-se de uma condição similar à do sonho de ‘olhos abertos’, que lembra a chamada ‘regressão a serviço do Eu’, proposta por Ernst Kris”. Historiador da arte e psicanalista vienense, Kris (1900-1957) estudou as relações entre a criação artística e os fenômenos psicológicos profundos. Todarello explica que “quando se regride a estados menos organizados da atividade psíquica, são suspensos os nexos lógicos habituais e o material psíquico se mistura de forma confusa, permitindo intuições e novas associações”.

A intuição – definida pelos filósofos como uma forma privilegiada de conhecimento, que permite a posse imediata e total do objeto – desempenha um papel decisivo na criatividade, em particular na científica. É uma espécie de túnel sob os procedimentos lógicos habituais, que só alguns conseguem escavar e assim alcançar a verdade. “Enquanto a razão”, prossegue Todarello, “segue circuitos corticais complexos e lentos, a intuição, assim como a emoção, é uma modalidade rápida de conhecimento da realidade”.

Mas há uma questão crucial: para resolver um problema, para ativar nossa capacidade de compreender repentinamente a “linguagem das coisas”, é melhor estar desperto e insone ou dormir? Muito ainda precisa ser esclarecido a esse respeito, como sugere uma pesquisa alemã publicada em 2004 na revista Nature. Partindo de relatos sobre intuições fundamentais ocorridas durante o sono, uma equipe de neuroendocrinologistas, psicólogos e neurologistas da Universidade de Lubecca aplicou um teste matemático: uma tarefa que envolvia o aprendizado de seqüências estímulo-resposta e na qual as pessoas pesquisadas podiam melhorar gradualmente o seu desempenho aumentando a velocidade de resposta. Apresentou-se assim a um grupo de voluntários (66 no total) uma série de oito números junto com uma regra simples por meio da qual devia ser gerada uma segunda série de sete números. As pessoas foram solicitadas a deduzir, no tempo mais breve possível, o valor final da seqüência.

Havia uma “fórmula-atalho” oculta que, caso intuída, permitiria calcular o valor rapidamente. Após o treinamento inicial, as pessoas foram dividas em três grupos: o primeiro estudou o problema à tarde e pôde dormir 8 horas; o segundo enfrentou a tarefa sem repouso noturno; o terceiro, finalmente, foi submetido ao teste pela manhã e desfrutou as 8 horas da vigília diurna normal. As pessoas que haviam se beneficiado do repouso revelaram ser duas vezes mais capazes de intuir a “fórmula-atalho” oculta, não só em relação às que permaneceram acordadas durante a noite como em relação às que ficaram despertas durante o dia. O sono parece assim inspirar e facilitar a intuição. Segundo os autores do estudo, o sono “consolida as recordações recentes e estimula a intuição mediante a reestruturação delas”.

:: Sono Conselheiro
Enquanto dormimos, nosso cérebro reorganiza as recordações “episódicas”, isto é, as informações relativas a lugares específicos, pessoas, conversas e experiências: essa reorganização dos eventos cotidianos pode explicar o melhor desempenho das pessoas que repousaram. É assim que Jan Born, neuroendocrinologista e coordenador da pesquisa, interpreta os resultados obtidos: “Acreditamos que as recordações recentes são armazenadas em uma área cerebral particular, o hipocampo, enquanto a memória ‘permanente’ parece ser acomodada em uma área diferente, o neocórtex. No sono, as recordações podem ser desviadas de uma região cerebral para a outra e são reordenadas durante esse processo”.

Sidarta Ribeiro, neurobiólogo da Duke University de Durham, na Carolina do Norte, considera que “na fase REM, caracterizada por movimentos oculares rápidos, as informações talvez sejam reorganizadas”. No fundo, segundo Ribeiro, isso é apenas a demonstração de uma lei já observada pelas pessoas de bom senso: “durma” é mesmo o melhor conselho para quem enfrenta dificuldades na solução de um problema complexo. O sono, segundo um estudo de Born e colegas, reforça o “pensamento lateral”. O conceito não corresponde exatamente ao de “criatividade”; esta se refere simplesmente à produção de algo novo, enquanto o pensamento lateral diz respeito à alteração de conceitos e percepções.

Compreender o que o cérebro realiza enquanto dormimos ainda é um objetivo a ser perseguido. Os especialistas em transtornos do sono, no entanto, enfatizam todos a importância de um bom repouso noturno. Mas John Shneerson, neurologista inglês do Papworth Hospital, em Cambridge, adverte alarmando: “Não dormimos o suficiente”. E não se trata apenas de uma tendência, ele acrescenta, mas de uma verdadeira epidemia, favorecida pelo ritmo alucinante de nossa vida, sobretudo no trabalho. Os especialistas em sono aconselham assim um curioso remédio: um cochilo regenerador (um power nap de meia hora) no escritório para reativar a criatividade enfraquecida. Uma solução que várias pessoas já intuíram e puseram em prática há muito tempo.

PARA CONHECER MAIS:

Sleep inspires insight. Ulrich Wagner, Steffen Gais, Hilde Haider, Rolf Verleger e Jan Born, em Nature, nº 427, págs. 352-355, 22 de Janeiro de 2004.

Enciclopédia Oxford della mente. Richard L. Gregory, Benedetto Saraceno e Elena Stemai (orgs.). Sansoni Editore, 1991.

Serendipity. Accidental discoveries in science. Roystom M. Roberts. John Wiley & Sons, 1989.
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Edoardo Altomare é médico oncologista e jornalista. É autor de Influenza e Medicine & Miracoli. Dal Siero Bonifácio al Caso Di Bella, entre outros livros científicos.

FONTE: Revista Viver Mente & Cérebro, ano XII nº150, de julho de 2005, págs. 84 a 87. Site: http://www.vivermentecerebro.com.br/ . ISSN 1807-1562. Duetto Editorial, São Paulo, SP, Brasil.

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Já diziam os antigos...
"O homem toma por inteligência o uso das suas faculdades de imaginação."
Louis Scutenaire