O ecletismo é o "Abre-te, Sésamo!" desta portal. Coloque os cintos na posição vertical, apertem bem seus assentos - ou coloquem os acentos na posição vertical e relaxe os "sintos" - e boa viagem!
domingo, 31 de agosto de 2008
Pensei, refleti e dispersei...
Um texto e duas tentativas devidamente frustradas.
Juro que estou tentando lutar contra minha dependência de advérbios de modo. Um tanto em vão, é verdade...
Sugestão: leia primeiro as tentativas, depois volte e leia o texto. Não que haja algum mistério da libélula ou cálice sagrado nas entrelinhas desta idéia. Só porque o texto é melhorzinho, hehe...
Até mais!
31/08/2008
Lucas do Carmo Lima
Começo falando do céu, que está azul e limpo, do sol, quente e ofuscante, e da brisa, controversamente fria e delicada. O dia está delicado.
Diálogos delicados cortam o ar, como se não tivessem mais nada a fazer além de, simplesmente, transportar mensagens cifradas na distância das bocas e das vozes.
Cheias de sentido e um pouco discretas. Codificam sentimentos em línguas que não existem e não evidenciam a mensagem. Talvez esse próprio código seja expressão de um sentimento: o sentimento de ser entendido sem as palavras. A forma mais delicada de dizer algo para o qual não há palavras, mas jeitos... Jeitos não toleram a distância.
O tempo, hoje, não diz nada demais: apenas que está frio se você não sair no sol e quente se você se esconder da brisa.
O dia ficou silenciosamente delicado. Dá pra ouvir os barulhos do silêncio: o canto de um pássaro, um ônibus que pára, pessoas que conversam, a mão que percorre a pele e o ar que entra e sai pelas narinas. O silêncio parece interessante: os barulhos que não se ouve na correria aqui estão, gritantes, na quietude das coisas.
Uma lágrima corre no rosto da moça que ri. Um arrepio corre pela espinha. Passa a borboleta pela janela.
Quantos há nas janelas que eu vejo? Quantos se olham por detrás dos vidros e buracos planejados nas paredes? Só posso saber se me olho, e sei que sim.
Mas quantos desses perdidos se encontram olhando para a mesma tarde silenciosa? Quantos ouviram a bicicleta que passou lá embaixo, na rua?
Quantos dizem ouvir as estrelas assim como podemos ouvir os corações... O vento parece um suspiro e a noite, um fechar de olhos... Só reparei assim, na calmaria, que as cordas do violão estão se gastando. E que quase mordi a língua. Quiçá, em algum lugar do meu quarto, eu ache a poesia que eu prometi. Com essa calma, queria eu achar tudo o que perdi e ainda é meu.
Mas os corações estão limpos, o chão, quente, e a pele, um pouco fria. O dia ainda está silenciosamente delicado. Ainda é dia.
_ _ _
Pretendo um lirismo que nem parece erudito. Ocorreu-me que pode ser apenas uma tentativa frustrada de parecer um bom texto. No mesmo momento, esqueço isso; agora, vou apenas ser isto aqui e agora: texto.
Qual a mensagem que lhe passo, daqui até aí, a partir destes caracteres? Pois é! O que está escrito, diria eu, impaciente pela pergunta idiota. Mas, indo um pouco mais além, o que está por trás destes caracteres? Hm, sim, o papel - mas, e falando de modo abstrato, o que jaz por detrás do texto? O pensamento do escritor? A vontade divina? A madeira da escrivaninha?
Ah, é verdade, já falei sobre isso antes. Então, vamos viajar pra outros lados.
_ _ _
Que mensagem é essa que vem do sol, do céu, da brisa? Que mensagem passam os astros, a lua, os cometas, as folhas que caem? E o pé esquerdo com o qual se levanta, qual é a dele?
O número 23 em toda parte, o bater na madeira com o nó dos dedos, a criança que caiu de bicicleta?
Acho que já deu pra entender a... a... a...
Desculpem, me distraí com a criança. Perdi o fio da meada.
Bem, etecétera. Já diziam os antigos...
"A serenidade é apenas a casca da árvore da sabedoria, mas, não obstante, serve para essa perseverar." Confúcio, sábio chinês
terça-feira, 1 de julho de 2008
Um ponto para parar e pensar um pouco
Mas a que ponto somos tanto e tão pouco perto de um ponto...
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Carne e osso
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Cinemática
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Engraçado
De vem em quando, a gente pensa que entende o que está acontecendo, talvez um natural desdobrar das coisas... Um caminho feliz pras velhas pendengas do dia-a-dia, pros imbróglios que aparecem... E, de repente: ?
Parece, conforme diz dona Raquel, que o mundo está ao contrário e ninguém reparou. Diria mais: o mundo está direito e ninguém reparou.
Não gosto de adotar tons pessimistas nos meus breves comentários, mas sou forçado, devido aos mais variados fenômenos da minha vida, a concordar em partes com essa visão preto-e-branco da vida.
As pessoas estão infelizes e não percebem. Derrubam-se rios de lágrimas, os olhos hidratam e desidratam, os rostos escorrem e secam, e tudo continua como se nada houvesse passado. Vapores demasiado densos... Apenas mais um choro vão, que irá desaguar nos mesmos açudes esturricados pelo sol. Logo sai um sorriso tímido e desinteligente, que ignora qualquer signo importante em prol de uma verdade tão espontânea e natural quanto uma bomba atômica.
Enfim, diriam os velhos e desbastados românticos, o amor existe e cotuca doído. Eu diria isso. Mas me desanimo. Que raio de sentimento é esse que torna as pessoas cegas às próprias chagas abertas? Um desgaste tão terrível e que tanto maltrata! De onde saíram as aberrações felizes que, de vez em quando, surgem? Quem lhes deu o direito de burlar essa cláusula perversa do amor-Síndrome de Estocolmo, bate-e-alisa sem fim?
Passei por um tempo em minha vida que, retrospectivamente pensando, pode ter tido leves semelhanças com tudo o que tanto critico aqui. Por azar e sorte, breve. Muito bom, muito interessante, mas abençoadamente breve. Não saí, como talvez fosse o ideal, mas fui "saído" e, uma vez fora, fora de vez.
Não sei se é a sede de se dar que acaba tapando um pouco as coisas, ou se é a sede de criticar que tampa um pouco as outras. Talvez, aqui, eu esteja sendo apenas e pateticamente tendencioso, puxando a sardinha pro meu lado, e isso não é difícil de acontecer. Talvez essa ênfase no lado penoso não passe de um ressentimento terrível e sanguinolento, que passa como um rolo compressor sobre o velho discurso "as coisas são assim e é assim que as coisas são", que pode estar, lamentavelmente, certo.
Mas, mesmo considerando minha auto-crítica, eu poderia estar levemente correto. Digo isso por revolta e frustração. Por ter que ver e discordar, e não saber o que fazer e pensar. Digo por presenciar alguns atos de algumas estórias muito mal contadas e não poder fazer nada a respeito. Digo por não poder tomar meu próprio partido numa dessas. Digo pois parece pairar no ar um conformismo horroroso, um medo terrível da solidão mesmo quando o que se vive é apenas um resto do que não se gostou. Um dia, podem até me provar que é isso mesmo que acontece, mas hoje eu estou pendendo para o lado mais ácido: a justificativa pelo medo. Analistas do comportamento vão explicar, e, mesmo assim, não vou entender o porquê de tanta contradição, tantas feridas e tão pouco do que realmente importa: um pouco de respeito. Ou carinho consigo mesmo. Ou os dois.
Posso estar errado - e é altamente provável que sim - mas a única coisa que amolece com porrada é bife duro.
Talvez, um dia, em nome de um amor arrebatador (às vezes, até mesmo um amorzinho meio besta mesmo), eu abra mão de tudo isso que digo e me torne uma vítima de meu próprio veneno. Mas talvez - e isso também é possível, embora menos - eu possa viver algo que não perfeito (porque isso não dá mesmo...) mas, ao menos, digno, e possa provar a mim mesmo que todas as balelas que eu acabei de aqui deixar não são apenas desabafos de alguém que não só apanhar e nem ver as pessoas queridas apanhando por aí. E à tôa. Já diziam os antigos...
"Amigo, perceberás que no mundo existem muito mais tolos do que homens, e lembra-te disso." François Rebelais, escritor
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Por onde andei...
Acabei vagando pela blogaiada dos meus amigos, conhecidos, colegas e afins, e vi que a maioria está parada. Só um está, bem pouquinho, com sinais de vida. Pra escapar um pouco desse marasmo que assola os blogs próximos, resolvi postar. Só não sei o quê...

Até!
sábado, 8 de março de 2008
Worst-seller
De relance, me ocorreu uma idéia idiota: por quê auto-ajuda não funciona? Oras, um manual posivito e objetivo sobre o que, quando e como se fazer para se viver melhor deveria, ao menos, diante de tantas quebras de recorde de vendas, ter melhorado um pouco a vida das pessoas. As pessoas têm cada vez mais problemas com seus filhos, seus pais, seus colegas de trabalho, seus cônjuges, terapeutas e instrutores de yoga (ou yôga, para os que acham que flor é diferente de flôr). Acho que isso não quer dizer que discutir a relação com um incenso aceso, uma estátua de Buda virada pra Meca e um pé atrás da cabeça entoando um "om" mentalmente tem surtido algum efeito interessante.
Dessa forma, achei que seria uma coisa bem legal escrever livro de auto-enrosco. Se os bons exemplos não estão sendo seguidos, talvez alguns maus exemplos sejam completamente evitados. Isso, quem sabe, pode ajudar a vida de alguns sujeitos.
Tenho alguns tópicos a serem vistos. São idéias sobre assuntos a serem abordados, talvez por séries inteiras de livros ou apenas por uma crônica malfeita por alguém e creditada ao pobre Luis Fernando Veríssimo, que cada vez mais tem de desmentir sobre sua vastíssima obra escrita por estranhos, sem qualidade ou consentimento - um verdadeiro anti-ghostwriter. Bem, aqui vão:
1. Discuta com seu(ua) parceiro(a) sob o efeito do álcool. Além de mais liberdade para expressar tudo o que lhe vier à cabeça (tudo mesmo), você pode, numa discussão sóbria posterior, usar o álcool como bode expiatório ("Pô, me dá uma chance de explicar, eu tava bêbado!").
2. Fique com quem lhe judia. Nada melhor do que uma reconciliação - uma a cada dez minutos.
3. Não ouça seus pais. Comece bem e pare de conversar com eles "aos 13" (como no filme), porque você já beijou, transou, bebeu, fumou, vomitou e comprou celular sozinho(a), e isto o(a) torna perfeitamente habilitado(a) a tomar conta de sua vida apenas com os conselhos dos carísimos amigos que o(a) introduziram nessa roubad... - ou melhor, estilo de vida livre e cheio de prazeres!
4. Bebo porque é líquido; se sólido fosse, fumá-lo-ia, engoli-lo-ia ou cheirá-lo-ia. Recentes pesquisas realizadas nos Estados Unidos com as mais avançadas técnicas da neurociência dizem que os neurônios, ao contrário do que seus pais lhe dizem (a-ha!, não se esqueça da premissa número 3), continuam se multiplicando durante a vida. Aproveite e gaste-as antes que uma outra pesquisa - mais recente, realizada nos Estados Unidos com técnicas mais avançadas - diga que é possível que seus neurônios não se multipliquem tanto assim e, abalados por essa terrível notícia sobre eles mesmos, seus neurônios (ou os remanescentes deles) resolvam parar de se multiplicar.
5. Não ouça seus filhos. Com oito anos, eles já devem aprender a se virar sozinhos. Além do mais, com treze eles já serão adultos responsáveis e auto-suficientes, têm que começar a praticar bem cedo! Se tudo isso ainda não te convence, lembre-se da conta do terapeuta (que eles mesmos acharam no caderninho do convênio médico) e reflita sobre o seguinte: pra quê eu, um pai inexperiente e ocupadíssimo com meu happy-hour, vou ouvir meu filho, se pago alguém com 20 anos de experiência para fazer exatamente a mesma coisa?! E, ainda por cima, longe de casa!! Sem gritaria!!
6. Ética é para fracos. Os grandes gurus empresariais cresceram - ao menos na sua cabeça - com muita bajulação, puxada de tapete, suborno e essas coisas que só são feias quando alguém descobre... Hierarquia é uma escada que se sobe pisando nas cabeças dos que ficam pra trás! Ética não gela minha cerveja lá em casa, nem põe amendoim no prato! E você é bem família, tem dois filhos no terapeuta pra sustentar e isso não é brincadeira!
7. Viva (muito) intensamente. Faça da vida uma chama sobre um rastilho de pólvora! Aproveite de tudo que há pra fazer - não há tempo de pensar em qualidade e essas coisas para fracos (vide premissa número 6).
Consigo chegar até aqui, e acho que já e um bom ponto para parar. Deu pra me repetir algumas vezes, mas até que não é lá grande crime.
Espero que dê pra pensar um pouco a respeito desta coletânea. Quem sabe, um dia, copiem essa idéia e, muito originalmente, lancem um livro sobre o que não se fazer se você quer poder melhorar um pouco na vida. Sei que progredir não é bem o forte da humanidade, mas dá pra pegar uma coisinha aqui e outra ali e tentar pensar um pouquinho só.
"A vida é uma criança que é preciso embalar até que adormeça." François-Marie Arouet, o Voltaire, iluminista
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Amyr Klink a remo num pote de Hellmann's
Hoje, testando a nova skin do blog, e não é a cerveja. (Não, esta piada não foi feita pra rir, é apenas um suspiro de humor sem graça; finja que você viu esta frase num pesadelo e continue sua doce vida colorida...)
Fique com a viagem melhorzinha aí embaixo.
Até a próxima! Tentando um texto
No fim da frase vem o ponto, sutil e sem cerimônia.
Com o ponto, vem a certeza do fim da frase.
Com o fim, a esperança de um espaço e de uma nova maiúscula.
Com a maiúscula, uma nova frase.
E nessa nova frase - quem sabe? - vem juntinha
A esperança de um parágrafo.
Reticência, suspense, silêncio.
Esperar por uma definição,
Esperar por um fim,
Esperar uma continuação.
E nessa toada, na agonia de esperar, corrói
A esperança do seu fim.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Pensamentos de um principiante
Tentamos fazer planos, mas é tão difícil conviver com a incerteza sem preocupar-se com ela a cada piscadela de olhos...
Resta viver assim mesmo, como nos é dado, da forma mais crua, e esquecer que podemos sonhar, perder e sumir. Talvez, assim, consigamos sonhar sem saber, e, quem sabe, viver um sonho por um instante real.
A poesia do viver, qual mais será? Das mil coisas que há para se viver, como saber qual será o instante eterno e qual será o estalar de dedos? Como viver assim, esperando que as coisas aconteçam mas correndo atrás das próprias coisas que se espera?
Qual a importância das coisas pequenas? Como saber o que é pequeno e o que é insignificante?
Engatinho largamente, cheio de idéias na cabeça, sonhos nos arrepios e pó nos olhos. Onde será que vou parar? Parar pra quê, como?
O fim de tudo que levanta vôo é o chão.
Para onde foram as velhas seguranças de sempre? Onde está a espontaneidade que se perde com a distância?
Tudo pode ser e tudo pode não ser? A virtude de hoje é o defeito de amanhã e vice-versa? Num jogo de probabilidades impraticável, nem corda-bamba há. Há bamba.
A instantateidade da vida e sua eterna imprevisibilidade são o mel de todo dia, dizem os bem entendidos. Mas é apenas quando se contraria as regras que você não concorda.
Porque tenho que pensar no fim a cada dia distante?
Tem tudo pra dar e pra não dar, também. Vai saber... Quando tudo diz que sim, algo diz que não. "Não" é forte e truculento. Quanto blablablá mental...
A vida se revela tão clichê para uns, com suas fases e contas e números e passos e fins determinados como um roteiro. Noutro lado, o romantismo impossível e inacreditável aparece na sua vista e materializa-se nas histórias improváveis que conhecemos. Crer em quê?
Assim vou, tentando achar fé onde só há caminhos a serem traçados. A sensação de errar fatalmente é companhia certa, mas a cada sorriso se dá um passo mais firme e decidido.
Conhecer é percorrer, e é tudo que se pode.
Futuro? O que é isso?
domingo, 9 de dezembro de 2007
Só pra ti, linda
Hoje, este blog está exclusivo.
Sabe, muitas mudanças acontecem na minha vida desde o dia em que te conheci. Não sei como estarei daqui a um mês, daqui a um ano, daqui a uma vida, mas tenho a certeza de que estarei melhor ao seu lado, caminhando junto a ti (embora você goste de sair e meditar a sós, de vez em quando). Eu sou muito grato a você por isso, pela sua coragem e doçura. O que posso te fazer em troca é o que eu tento há dois meses: dar o melhor de mim. É o mínimo que mereces de mim.
Amanhã, estarei aí contigo, mas, hoje, nesta dia em que estamos tão longe e continuamos juntinhos, o que posso fazer é isso: escrever e esperar. Espero que goste!
Beijos, Jaque! Parabéns pelos nossos dois meses!
Dois lindos meses
Hoje são dois meses. Dois meses da história mais linda que eu conheço. Aquele dia... Eu nunca vou esquecer aquelas mãos dadas, suando de não sei o quê, subindo a rua de casa. Nunca vou esquecer aqueles beijos tão difíceis de começar, mas mais difíceis de interromper...
Aquele dia foi – sempre será – o dia mais louco da minha vida! Do zero ao infinito em dois minutos ou menos! Do nada ao tudo em um descer e subir de elevador. Em uma campainha inesperada, em algumas breves palavras na porta.
Mas esses dias passaram... E viraram um mês! Um mês à distância, mas um mês mágico! Até discutir a gente discutiu, e as pazes a gente fez no mesmo instante! Um mês cheio de viagens, cinemas, sono, palestras, amassos, carinhos, beijos! Um mês cheio de surpresas! Um mês cheio de preocupações na estrada e de música nos violões...
Daí esse mês passou, e ficou grávido de outro! O segundo mês! Esse, agora, foi mais carregado de saudade, de fins de semana na lembrança... Nas conversas que o sono faz a gente dizer uma coisa e parecer outra... Mas é tão gostoso conversar! Descobrimos que perdemos facilmente a hora só enrolando pra dizer “tchau” um pro outro... Descobrimos até quem dirige melhor, e podemos contrariar a sabedoria masculina, hehe! Descobrimos um montão de coisas, até mesmo que não sabemos direito até onde vai a manha do outro!
Mas é o começo de muitos meses. Hoje, começa o caminho pro terceiro mês e, com ele, novas descobertas, novas discussões, novos beijos, novos carinhos, novas conversas!
Novos adjetivos pra falar dessa história tão linda, desse namoro tão engraçado, tão romântico, tão gostoso, tão, tão... Tão feliz!
Belezinha, parabéns! Fazemos, hoje, dois meses de namoro! Dois lindos meses...
Já diziam os antigos...
A lagartixa
A lagartixa ao sol ardente vive
E fazendo verão o corpo espicha:
O clarão de teus olhos me dá vida,
Tu és o sol e eu sou a lagartixa.
Amo-te como o vinho e como o sono,
Tu és meu copo e amoroso leito...
Mas teu néctar de amor jamais se esgota,
Travesseiro não há como teu peito.
Posso agora viver: para coroas
Não preciso no prado colher flores;
Engrinaldo melhor a minha fronte
Nas rosas mais gentis de teus amores
Vale todo um harém a minha bela,
Em fazer-me ditoso ela capricha...
Vivo ao sol de seus olhos namorados,
Como ao sol de verão a lagartixa.
Álvares de Azevedo
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Das conversas de hoje de madrugada
Preciso amadurecer agora. Não que tenha de ser um amadurecimento instantâneo, mas tem que ser contínuo, autêntico e permanente. Sem pensar possibilidades terríveis, sem antecipar as coisas em viagens imaginárias. Sem falar demais, o que é difícil. Antes, e fundamentalmente, é preciso viver e fazer. Viver as coisas, porque elas passam se você as deixar assim, e fazer as coisas, porque o pensar é eterno mas etéreo e as palavras nada podem além de dizer sobre as coisas. É preciso crescer agora... É duro, mas o moleque tem que crescer.
É preciso amadurecer, então. Mas amadurecer pra mim, pra que eu esteja maduro pra ela. Pra que eu alcance tudo o que ela pode dar, tudo o que ela tem. Sem deslizes evitáveis, sem palavras desastradas. É preciso também pensar um pouco, mas apenas o bastante. As coisas certas ainda são poucas, mas são boas. Pra que eu não estrague tudo de uma maneira que só eu consigo, pensar também é preciso. Principalmente, antes de dizer.
É engraçado pensar como as palavras machucam. Como elas dever ser medidas pra dizer o que se quer e não o que elas podem querer dizer. O fundamental zíper que só se abre na presença da certeza ou, ao menos, do exame criterioso.
Como é bom ter que amadurecer. Isso significa que há alguma mudança, alguma coisa nova que nos aparece. Alguma coisa linda. Alguém? É! E é pra isso que eu preciso amadurecer mais. Preciso amadurecer tudo o que eu não amadureci em oito ou dez anos, e ainda o que eu tenho que amadurecer daqui pra frente. Pensando assim, que bom que eu tenho que amadurecer. Ter alguém pra te apontar isso... Que bom!
Amadurecer, eu estava pensando. Quando uma fruta qualquer amadurece, ela cai. Mas daí você pode pensar: "Caiu no chão, caiu do pé, mas que frutinha mais azarada!". Pois é, mas quando ela cai é que ela tem a chance de virar árvore. E, virando árvore, também dar frutos.
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Quase um mês!
Que falta pra começarem as férias...
Que faz que minha vida tomou rumo...
Chega de divagar, né verdade?
Hoje eu vou colocar um poema meu, quase meia boca, que eu fiz um dia aí.
Vejam se gostam. Na verdade, se alguém ler, já estarei feliz, porque nunca vi tão pouca gente visitar essa espelunca. E isso contando eu!
Bom, até mais!
Encontro
Lucas do Carmo Lima
Olho, da janela,
Uma cena sinistra:
A noite está clara
Mas sombria...
Seguem, as nuvens,
Uma marcha lenta...
Vão rumo ao longe...
O horizonte está limpo,
Continua a noite normal,
As nuvens, fúnebres, andam
Acima do céu.
A lua está firme
E empresta sua força
A essas nuvens errantes...
É o candeeiro pelo caminho.
A noite não parece noite,
Não parece tão tarde...
As ruas continuam vivas,
Os apartamentos continuam acesos.
Mas é noite, e soberana.
As preocupações que brotam do chão
As perseguições perturbadas
Não levantam nem poeira...
É a hora da noite brilhar!
As nuvens não ligam pra nada,
Elas andam e só...
Andam acima das cabeças
E dos edifícios e das idéias...
E também não se ocupam de andar
Nem se preocupam em andar...
Só andam e é tudo que acontece.
Entre as nuvens e as estrelas
Não há nada,
Mas elas nunca vão se encontrar.
As nuvens não sobem...
Elas vão em frente!
Às nuvens não importam
Aquelas estrelas.
Aquelas estrelas vão continuar lá
As nuvens, aqui.
Às nuvens vem o vento
E o vento é tudo de que precisam...
As estrelas são belas
As estrelas são místicas
As estrelas são formidáveis!
Mas quem acompanha as nuvens
É o vento.
É o vento que tirou as nuvens
Do marasmo
E as colocou em movimento!
É a companhia que vale mais
Que mil admirações!
Companheiro admirável...
As estrelas são até poéticas
Mas que fiquem por lá, paradas,
Com seu movimento que não se vê
E aquela luz que não ilumina...
O vento é diferente.
O vento está aí
- é só soprar que ele aparece!
Ele não precisa da noite,
Dispensa a luz...
O vento que mexe as nuvens
Vale mais que mil desejos vãos...
O vento faz o andar das nuvens
Nesta noite sinistra, mas linda,
Onde a lua espia o encontro mais lindo
E o encontro mais livre!
Entre o vento as nuvens, não há nada.
Não há nada que os separe.
Não há nada que pare
O vento e as nuvens.
sábado, 6 de outubro de 2007
Hoje eu só vou escrever um pouco
Tentamos nos segurar e, quando se vê, já estamos andando pra trás sem querer.
É mais ou menos por aí.
Sabe quando a gente fica cego pelos nossos próprios demônios e só consegue abrir os olhos de cara pro sol?
Aí você me pergunta: mas isso não deve doer?
Eu lhe digo: pois é...
Sabe quando você não distingue mais o que você criou sobre você do que você sente de você?
Às vezes, você tenta descobrir a diferença, mas aí você acabou de criar outra coisa sobre você.
Já era.
Sabe quando você pensa que esqueceu e que acabou e você vê as fotos que salvou e lembra das estranhices que aconteceram?
Que nostalgia que dá, que esperança que cresce....
E pra saber se é em vão?
Sabe quando você precisa falar e sabe pra quem, mas não sabe o que é?
Pode ser recíproco.
Pode até ser.
Sabe quando você tem vontade de não desperdiças suas metáforas num texto, a princípio, despretensioso?
Pra quê pretensões?
Pra quê metáforas?
Pra quê texto?
Sabe quando você não sabe, mas o faz?
Eu fiz e não sabia.
Soube agora.
Gostei e não.
Sabe quando a certeza sobre si se destrói a cada dez minutos andando?
É fogo que arde se se ver.
É nada mais que tudo que você tentou resolver. E o fez ao contrário.
Sabe aquela sensação de que aquilo se acabou tem em si um quê de "mas, e se"?
Tem horas que eu não sei se é feito, se é surgido ou se é fingido.
Sabe a idiotice que lhe toma nos momentos de encontro?
E a estranha naturalidade enlatada que a acompanha depois?
EU POSSO DIZER ASSIM, EM GARRAFAIS, QUE EU NÃO SEI.
Até onde estou apenas criando uma cortina de fumaça que me esconda de uma possível verdade, não sei...
Até quando eu ainda precisarei pensar em parar de pensar, não sei...
Até quando isso vai atrasar meus movimentos e meu instinto...
Até quando isso vai durar, até quando vou me ocupar dessa joça toda...
E a verdade? Está no momento, na razão, nos filmes que queremos indicar e que mostram o contrário e o correto de toda nossa vontade?
Está num dia inteiro de raciocínios e lembranças ou numa frase que você ouviu de alguém que te viu três vezes?
E o amor, onde buscar? Quem vai estar lá pra te entregar, ou pra se entregar?
E a felicidade, foi-se embora?
E a tristeza, tem fim?
E o romantismo, que a vida esmaga a cada dia?
E o lirismo, que dá lugar a resmungos existencias?
E as perguntas, um dia eu vou conseguir respondê-las?
Did she get her ticket to ride? Does she care?
E as escolhas? Quando elas se tornarão mais naturais?
E as músicas, serão, um dia, sem dedicatória? Sem sentido?
Ainda bem que eu sei escrever. Pelo menos isso.
Se não sobesse, iria pra onde? Pro sanatório, com uma camisa de força, ou pro meio da rua, com um megafone?
Mas, eu sei. Menos uma a pensar.
Mas, eu sou rápido. Já pensei. E já escrevi.
Acho que escolheria o sanatório... Lá, eu arranjava um megafone.
Quando eu vou poder parar e olhar ao redor sem me preocupar?
Hoje, eu só ia escrever um pouco. Mal sabia eu.
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Olá! Tudo bem? Como vai?
Leia de novo, agora mais rápido.
Leia três vezes, nessa velocidade.
Pronto, você acabou de imitar Joseph Klimber!
Tolices à parte, aqui estou eu de novo. E vamos que vamos.
Como não me lembro de ter escrito nada bom e publicável nesse meio-tempo - além do textinho do Sarau, que segue nesta postagem - vai um texto muito meiguinho (^^, carinhas de japonês, quem diria...) de uma amiga em segundo grau (hehe, amiga de amiga, oras...) que, aliás, foi muito bem recomendada. O seu blog, "A Toca do Texugo", é muito bom e o endereço é http://www.atocatxg.blogger.com.br/. Até me inspirou a botar um nome mais poético, mas me deu preguiça. Lembrei de Macunaíma...
Infelizmente, não tenho nenhum tipo de autorização pra fazer essa divulgação. Acabei de comunicar. Se este texto for censurado um dia, é sabido publicamente o motivo.
Aliás, o texto d'A Toca é muito bom! Dona Lia, a mãe do dito cujo, caprichou na figura. Só não caprichou na hora de comentar, hehe, porque machuca quando eu leio "auto-ajuda" sobre esse texto. Bom, se isso é auto-ajuda, imagino o que seriam "os grandes clássicos" do blog. Etc.
A citação nesse recomeço no blog é um poeminha, que só é citação porque é pequenininho. Mas é digno de postagens. Autora interessante, até surpreendente.
Aí vai! Até!
E aos novatos visitadores (se houver): sejam bem-vindos! E comentem!
Abertura
Para o 3º Sarau da Psico, sem palavras, do dia 14 de setembro de 2007.
Lucas do Carmo Lima
"Raramente conhecemos alguém de bom senso, além daqueles que concordam conosco."
François La Rochefoucauld, escritor
Eu não busco a unanimidade, porque viver sem discutir não tem graça. Nem busco terminar tudo o que comecei, pois, depois do primeiro arranhão, estaria condenado a rasgar-me ao meio. Esta miúda parcela de minha tentativa – e erro, várias vezes – parece buscar algo que está fora deste papel antiecológico que está na sua frente. Parece buscar você, que está lendo, e que poderia viver tranqüilamente sem ter vindo, parado e lido isto aqui. Parece buscar porque, no momento em que foi escrito, isso aqui já não mais pertence a mim; agora, essas linhas todas ganharam a liberdade de ser o que é compreendido, de atingir sem objetivo. A palavra virou vírus... Já não respeita mais nada além de sua própria propagação. Não há como segurar essas palavras. Agora, elas estão passando por dentro de você e deixando alguma coisa, nem que seja a vontade legítima de parar de ler. Dessa forma, ao ler tudo isto, eu mesmo me provoco, me desafio a fazer coisas, sentir coisas e pensar coisas. Mas eu não provoco ninguém ao escrever. Eu escrevi o texto, mas não o possuo. É um filho que se cria para o mundo; se ele lhe arrepia até a espinha, não é meu problema. É um filho que nasceu grande.
Estas palavras também não têm fim; são como avalanches, que não pedem desculpas, não têm pretensões e nada sentem pelas árvores que arrancaram. E, como eu e você, têm seu fim fora delas. As avalanches só param quando a montanha acaba.
Destreza
Lia, "A Toca do Texugo"
Às vezes eu penso que a vida é como uma antiga caixa de música que já não funciona mais. Uma linda e empoeirada caixinha de música que já perdeu sua melodia, mas conserva sua beleza e seus detalhes. Olhando de longe, apenas uma caixa qualquer, mas se você chega ali perto, dá uma olhada no fecho enferrujado e toca as reentrâncias trabalhadas há tempos, por um instante começar a amar aquela peça.
Você pode deixá-la ali, ou abri-la. Quando optar pela segunda, achará nada mais que centenas de linhas e fios. Todas as cores e tamanhos, espessuras e comprimentos ali entrelaçados, embaraçados. Milhares de nós naquele emaranhado sem fim dentro de uma simples caixinha. Um mundo de problemas, soluções e sorrisos simplesmente confinados pela velha fechadura que você acabou de abrir.
Então você começa a desembaraçar os nós, e quando pensa que já viu todas as cores, ali no meio acha um azul-esverdeado lindo que você ainda não tinha enxergado, aqui e ali fios de textura cada vez mais diferentes vão se revelando.
Assim, você é dona de si, faz o que bem entender com aqueles fios, sabendo que se puxar muito mais forte vai arrebentá-los, mas que se deixá-los ali, eles perecerão. Daqui a pouco você encontra um nó que não pode desatar, por mais que tente, morda, esperneie ele não cede, e você passa a desatar outros, porque apesar dele, ainda muitas coisas precisam ser resolvidas. Apesar de você não ter o poder de desatá-lo, você pode atar outros fios da maneira que bem entender, e formar novos emaranhados, ou tornar as coisas simples e desembaraçadas, na medida do possível. São suas escolhas.
Depois de você mexer ali por muito tempo, encontra lá no fundo a bailarina que costumava dançar na caixinha. Que se colocava de pé e rodopiava divinamente, mas foi sufocada pelas fitas e linhas. Esse é seu coração. Coloque-o acima de todas as fitas, para que estas sejam o seu ninho, e ele seja livre e respire.
A caixa pode não ter mais música, pode estar empoeirada e ter infinitos nós dentro, mas é linda, de uma beleza inestimável. É a sua vida. Ame-a com todas as suas forças, e se empenhe em desvendá-la a cada dia, a cada nó, a cada cor, a cada textura.
A caixa está à sua frente, o que você vai fazer? Deixá-la trancafiada ou abri-la? A escolha é sua, e somente sua.
Já diziam os antigos...
Moldura
Particularmente,
não há dificuldade
(ou desespero)
em não ter asas.
Mas em tê-las
e não poder voar.
Ana Lucia Cortegoso, psicóloga e poetisa.
quarta-feira, 25 de abril de 2007
Ma' como?
Lucas do Carmo Lima
Mistério é a chave
Chave para o encantamento
Encanto justo ao coração dos tolos
Tolos todos crentes no juramento
Jurados de toda perdição
E perdido está quem acredita no tempo
Tempo que torna os velhos tolos
Todos gênios, guardiões de um sacramento
Sacramento insano, porque vivo
Vivido na emoção, sem nenhum lamento
Lamento de quem não acreditou
Numa crença, num sentimento.
É, então, o mistério que dá valor
Valor que não se compra; é momento
Momento perpétuo naquele que pulsa
Sangue em aquecimento
Quente desejo por atrair
Atração com fundamento
Fundada na pura abstração
Divinos castelos de vento
Sopro da livre admiração
Mira sem discernimento
Sem entender, embora claro
Impassível em seu acobertamento.
Coberto de razão
E desrazão, sem consentimento
Sentiu o mistério nas mãos
Maneja o conhecimento
Conheço, então! Eis que é
... La Buena Del DJ Lucón
(só pra variar um pouco, espalhar a poeira)
Luiza, Tom Jobim
sexta-feira, 6 de abril de 2007
Memorandum
Presidente e CEO - Lucas.net Virtual Corporation
quinta-feira, 8 de março de 2007
A volta do bloguêmio
Primeiro, peço perdão pelo trocadilho escroto do título.
Postar isso no Dia Internacional da Mulher só pode ser sacanagem comigo, não? Hahaha...
Volto à ativa no blog, assim como estarei voltando à ativa no curso de Psicologia também. Como voltar à ativa requer tempo, economizarei no falatório hoje. Posto aqui um texto bem atual (tipo de hoje) que eu acabei de escrever, que é meio tosquinho mas tá valendo. E indico três belas músicas (que acompanham bem o texto; praticamente o amendoim que acompanha o truco).
Atés!
Um cachorro que caiu da mudança (08/03/2007)
Lucas do Carmo Lima
Estou perdido.
Desde a última vez que me senti assim... Bom, não me lembro se já me senti assim, nesta forma tão instável e estranha. Não posso nem dizer que me sinto vazio, um oco da alma... Não, isso não. O que há dentro de mim é mais do que eu posso descrever. Posso sentir, posso tocar. Mas não está tão dentro mais; está mais é fora. A verdade e tudo mais estão lá fora, me olhando de raspão, sem interesse nem muita atenção.
É uma sensação de ser prisioneiro de uma guerra fria. Nem te mataram, nem te venceram... Mas te largaram, te esqueceram. Nem ao inimigo serves mais. Não és ameaça ou troféu, mas apenas os restos do desprezo que a desimportância proporciona.
Talvez não seja nem desprezo o que sinto. É a indiferença mortal que acontece quando parece que só pra ti as coisas aconteceram, e o resto do mundo não viu nem um segundo de tudo o que passaste. As pessoas tocam suas vidas como um barco a ser remado a favor da correnteza, enquanto tu estiveste o tempo todo a remar para o lado contrário, tentando ver pela última vez alguém pelo qual você passou e que nem está mais lá. O que restou é a idéia intransponível e renitente de que, a qualquer momento, verás o tal alguém, e, naquele momento, poderás pensar que tudo pôde valer a pena.
Eu já não posso agüentar esta situação desgraçada. Eu estou vivendo meus dias todos, há seis meses, a lembrar e lamentar. E uma esperança que não cessa insiste, mesmo que ínfima, a negar sua insignificância. Por mais que eu aceite minha debilidade em lidar com os fatos naqueles dias tão dourados quanto cinzentos, parece que não tenho como escapar da lembrança sórdida que me surge.
É difícil ter que admitir que não saiba lidar com a derrota, principalmente quando é algo que mereceu tanta teimosia. É difícil perder para a derrota. Eu perdi e, por mais que os cenários mais otimistas que eu imagine me inspirem, jamais estarei sequer próximo a tudo o que eu quis naqueles dias. Nada que eu fiz de caso pensado deu certo. O que eu fiz por acaso, tampouco. É difícil admitir que não superei nada disto ainda e que meu coração pulsa pesado e dolorido ao escrever estas palavras.
Admitir é difícil. E quando se recebe tudo facilmente, como uma conseqüência natural das coisas, ou, pelo menos, se vê as coisas desta maneira, admitir é complexo, é algo que não se entende. Quando persistir nunca foi tão preciso e falhei. Porque não adianta nada persistir por dentro; tens que persistir para fora, tens que canalizar para poder direcionar, e não concentrar para explodir e esvaziar.
Olho ao meu redor e vejo só felicidade. Sorrisos por todos os lados. A alegria que emana das pessoas é um raio de luz nos olhos, que ofusca a visão. E eu aqui, na sombra que eu mesmo faço com as mãos, que tremem de nervosas. Nunca estive tão triste por não ter o que nunca tive. Jamais isso me afetou tanto quanto hoje. Por ser que seja porque hoje isto está mais próximo de mim, mais claro e evidente. Ou porque já esteve pra mim, clara e evidentemente, que a minha vez havia chegado, que a hora estava sendo contada em modo regressivo e que os instantes passavam serelepes sabendo de tudo que os sucederia.
Ninguém mais me é ideal. Ninguém mais me é assim tão especial; ninguém mais se destaca tanto no meio do povo. Não tem mais quem eu olhe, então eu olho para tudo. Perdi o objeto final, o destino horizontal de minha admiração. E estou completamente jogado entre minhas tralhas sentimentais. Estou entre a elaboração literária e o fato literal. No fio da navalha. Melhor, estou na sarjeta. Eu estava na sacada e agora tento achar as fotos antigas no sótão.
Não quero crer que meus dias irão correr desta forma, e talvez mais áridos e intensos, com o início de uma terrível rotina de “flashbacks” do castelo de areia que eu estava construindo e caí em cima. Não quero, mas tenho que esperar isso, para que eu não me quebre mais ainda. É mais ou menos como naquela velha frase sobre a crença nas bruxas...
Sinto que quero dizer que não sei de mais nada, virar pra janela e olhar o pôr-do-sol sem temer o que virá no próximo amanhecer. Mas agora é noite alta, e o amanhã é algo que ainda me assusta. Tenho muitas incertezas sobre o que vai acontecer daqui pra frente em certas coisas da minha vida, outras não me preocupam... De vez em quando eu queria ter sido como as outras pessoas que eu conheço, sabe... Com uma vida um pouco mais corriqueira, menos anormal. Uma vida tão previsível quanto minhas falas de efeito. Uma vida tão previsível quanto minhas brincadeiras sem graça. Mas as minhas coisas andam num ritmo pouco marcial, talvez tão sinuoso quanto as opiniões que as pessoas têm de mim. Ou que eu acho que têm, porque as pessoas não dizem pra qualquer um e nem a todo momento a opinião que têm sobre outras pessoas.
Algumas pessoas que conheço já me disseram, quando conversando sobre beber demais e fazer coisas desprezíveis das quais as pessoas se gabam tolamente, que “quem não bebe não tem histórias”. Talvez, pensando por este lado, a minha vida, pouco usual do jeito que vem sendo nos últimos 19 anos, seja a grande história que contarei pros meus filhos e netos. Um história que pode não ser gloriosa, etílica ou digna de orgulho até lá, mas será, no mínimo, curiosa. E uma história que não deverá ser repetida.
A(s) Boa(s) do DJ Lucão
(o nome não poderia ser mais idiota, mas o que vale é a ideia, não é verdade?)
Moon River, Henry Mancini
Pedacinho do Céu, Waldir Azevedo
Stuck In A Moment, U2
sábado, 27 de janeiro de 2007
Caminhando e postando...
Vamos colocar o preço da ligação do 0300 a R$ 0,30. Então, teremos... R$ 8.700.000,00. Isso mesmo! Oito milhões e setecentos mil reais, que o povo brasileiro gastou ( e gasta ), em cada paredão! Suponhamos que a Rede Globo tenha feito um contrato "fifty to fifty" com a operadora do 0300, ou seja, ela embolsou R$ 4.350.000,00. Repito: somente em um único paredão!
Alguém poderia ficar indignado com a Rede Globo e a operadora de telefonia ao saber que as classes menos letradas e abastadas da sociedade, que ganham mal e trabalham o ano inteiro, ajudam a pagar o prêmio do vencedor e, claro, as contas dessas empresas. Mas o "x" da questão, caro(a) leitor(a), não é esse. É saber que paga-se para obter um entretenimento vazio, que em nada colabora para a formação e o conhecimento de quem dela desfruta; mostra só a ignorância da população, além da falta de cultura e até vocabulário básico dos participantes e, consequentemente, daqueles que só bebem nessa fonte.
Certa está a Rede Globo. O programa BBB dura cerca de três meses. Ou seja, o sábio público tem ainda várias chances de gastar quanto dinheiro quiser com as votações. Aliás, algo muito natural, para quem gasta mais de oito milhões numa só noite! Coisa de país rico como o nosso, claro!
Nem a Unicef, quando faz o programa Criança Esperança, com um forte cunho social, arrecada tanto dinheiro. Vai ver, deveriam bolar um "BBB Unicef". Mas, tenho dúvidas se daria audiência. Prova disso, é que na Inglaterra, pensou-se em fazer um Big Brother só com gente inteligente. O projeto morreu na fase inicial, de testes de audiência. A razão? O nível das conversas diárias foi considerado muito alto, ou seja, o público não se interessaria.
Programas como BBB existem no mundo inteiro, mas explodiram em terras tupiniquins. Um país onde o cidadão vota para eliminar um bobão (ou uma bobona) qualquer, mas não lembra em quem votou na última eleição. Que vota numa legenda política sem jamais ter lido o programa do partido, mas que gasta seu escasso salário num programa que acredita de extrema utilidade para o seu desenvolvimento pessoal e, que não perde um capítulo sequer do BBB para estar bem informado na hora de pagar pelo seu voto. Que eleitor é esse? Depois, não adianta dizer que político é ladrão, corrupto, safado, etc. Quem os colocou lá? Claro, o mesmo eleitor do BBB!
Aí, agüente a vitória de um Severino não-sei-das-quantas para Presidente da Câmara dos Deputados e a cara de pau, digo, a grande idéia dele, de colocar em votação um aumento salarial absurdo a ser pago pelo contribuinte. Mas o contribuinte não deve ligar mesmo, ele tem condições financeiras de juntar R$ 8 milhões em uma única noite para se divertir, ao invés de comprar um livro de literatura, filosofia ou de qualquer assunto relevante para melhorar a articulação e a autocrítica...
Chega de buscar explicações sociais, coloniais, educacionais. Chega de culpar a elite, os políticos, o Congresso. Olhemos para o nosso próprio umbigo, ou o do Brasil. Chega de procurar desculpas, quando a resposta está em nós mesmos. A Rede Globo sabe muito bem disso, os autores das músicas Egüinha Pocotó, O Bonde do Tigrão e assemelhadas, sabem muito bem disso; o Gugu e o Faustão também; os gurus e xamãs da auto-ajuda idem.
Não é maldade nem desabafo. É constatação.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2007
Em Stand-by...
Metáforas (18/01/2007)
Lucas do Carmo Lima
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
Resignado
Lucas do Carmo Lima
Cai em véu delicado o pranto das nuvens. Mas que bela chuva pra inaugurar belas férias! As pessoas voltando, eu voltando, a saudade voltando (lenta, porém constante), as coisas voltando (aos lugares de antes, mais ou menos)... Tenho a nítida sensação de que este semestre poderia ter sido muito mais se tivesse sido mais organizado. Ou mais ousado. Mas levo comigo (pelo menos até hoje, que amanhã será uma chuva diferente que cairá) um certo orgulho, uma certa melancolia, com um discreto sorriso no rosto, quase que involuntário, porque algumas coisas realmente valeram a pena (por menor que a pena e as coisas foram).
No começo, os fatos foram pipocando em acontecimentos dos mais variados, dos mais gostosos, dos mais assustadores, dos mais tristes e surpreendentes. Foi uma empolgação e uma apreensão, uma suadeira das mãos que não sabiam onde parar (ou estacionar)... Um ar de novo que infla nossos pulmões a cada fôlego mais forte. Respirar fundo era sempre uma aventura! Um sangue fresco que corre na gente, com o frescor do retorno pleno de férias de julho.
As coisas vieram... E eu, em plena condição de único proprietário de mim mesmo, fiz... O que pude, o que quis, o que me impus. Também não fiz muitas coisas, das quais não poderia me arrepender exatamente porque nunca aconteceram. Mesmo assim, foi um bom momento para parar, observar, e engolir seco a cada omissão ou cada besteira. Era minha responsabilidade, eu que não fiz e paguei (caro). Ora, a vida é minha, o problema é meu!
E assim as coisas começaram a se arrastar conforme os dias foram avançando. Grandes passos deram certo. Pequenos passos deram errado. Nessa lenga-lenga infernal de paradoxos, eu virei, da noite pro dia (numa tarde que deveria ser muito boa) o centro das tomatadas. Não que as pessoas tivessem coragem e lisura de chegar e falar, mas foi por vigésima terceira (à época, vigésima segunda) pessoa, a qual realmente guarda uma consideração enorme por mim e que faço questão de retribuir quando permitido. Nos poucos dias posteriores, perdi a calma e ganhei um charuto. Ganhei respeito (ou antipatia, ou nenhuma das alternativas). Mas as coisas foram se ajeitando, e hoje não preciso de mais que um colete à prova de balas.
Como não poderia deixar de ser, num dia em que o desespero me tomou por pousada, abri os olhos e dezembro me fez uma careta. Começou a maior várzea da história deste transeunte da São Carlos. O trabalho foi um lema e o tempo, uma ficção. Minha pobre cabeça esteve para estourar e os acontecimentos pipocaram de novo, sem a vitalidade de outrora, e sim com acidez... Mais ou menos como uma chuva de gotas de óleo quente. Tudo esteve, por cinco curtos e abrasivos dias, tão evidente quanto um iceberg e tão estável quanto um suicida.
Esses dias passaram; a temporada está a findar. Vai abaixo o último grão de tempo que eu consegui economizar pra ir em paz pras minhas férias. O último arzinho de julho, exuberantemente saturado, prestes a dar o fora. Já não há outras formas de aproveitá-lo, a não ser botar pra fora, pra dar espaço a uma nova inspiração. Verei por esses dias. Não sei se transpiro de nervoso ou cansado. Além do mais, vi que não posso me responsabilizar pelo que não é da minha parte. Mesmo não sabendo exatamente o que é ou não da minha parte, já estou pegando mais leve comigo. Pra ficar mais leve.
Desta forma, considero encerrados meus trabalhos. Entrarei de cabeça numas férias novamente revigorantes e voltarei mais uma vez à velha terra que me viu surgir para a vida. Uns suspiros para desabafar o coração ou adoçar os sentimentos, é isso que me espera de começo. Depois, quem sabe? O futuro é uma coisa que efetivamente não existe, mas tem uma não-existência bem influente. Como um buraco negro, que suga as coisas pra sua total desintegração, seu fim. Coisa boba, sem propósito.
Se não foi assim, foi por aí. Vou por aí.